Luanda – A intensificação dos protestos na África do Norte com destaque para a Líbia, Egipto, Tunísia e que se estendeu a Argélia, bem como a criação do novo estado africano denominado Sudõ Sul, foram entre outras manchetes da semana que hoje (sábado) finda.
Assim na Líbia os protestos contra o governo alastraram-se para pelo menos quatro cidades provinciais com os manifestantes a gritarem slogans “abaixo o coronel”, numa referência a Muammar Kadhafi, enquanto em Tripoli as manifestações eram organizadas em apoio ao líder líbio.
Reagindo a esses protestos, o coronel Kadhafi, num discurso em directo na televisão estatal líbia, não disfarçou a sua fúria com o que se está a passar fora da capital: "Abaixo o inimigo! Abaixo os agentes em toda a parte! Abaixo a corrupção! As folhas do Outono estão a cair! Os agentes da América, os agentes do sionismo, estão a fracassar", disse.
A semelhança do que está acontecer na Líbia, as manifestações populares constituem um fenómeno inédito nessa parte do continente de maioria muçulmana, que já provocou o derrube dos governos de Ben Ali (Tunísia) e de Hosni Moubarak (Egipto) .
No Egipto, o Supremo Conselho Militar que assumiu o governo espera que emendas à Constituição sejam rapidamente redigidas e levadas a referendo dentro de dois meses, abrindo caminho para a convocação de eleições.
A junta militar egípcia anunciou domingo que o período de transição para um poder civil se prolongará por seis meses e declarou a suspensão da Constituição e a dissolução do Parlamento.
Já na Tunísia, a União Europeia (UE) decidiu desembolsar «imediatamente» 17 milhões de euros a favor deste país para lhe permitir fazer face às suas necessidades urgentes após os distúrbios socio-políticos registados.
A Comissão Europeia declarou que a Tunísia vai beneficiar de uma ajuda financeira de 258 milhões de euros entre 2011 e 2013 para o financiamento do seu processo de transição e o seu desenvolvimento socio-económico.
Ainda sobre a Tunísia, presidente deposto Zine al Abidine Ben Ali, está em coma num hospital da Arábia Saudita, vítima de um AVC, informou quinta-feira um amigo da família à AFP.
Outro tema de destaque do noticiário africano foi o anúncio pelo Banco Mundial (BM) sobre o aumento dos preços dos alimentos no continente que levam 44 milhões de pessoas à extrema pobreza.
Os custos dos alimentos continuam a aumentar até aos níveis de 2008, quando os picos que alcançaram os preços da comida e do petróleo causaram estragos para os pobres, assinala o Banco Mundial, que divulga essas cifras antes do encontro dos ministros das Finanças do G20 previsto para essa semana.
O limite de extrema pobreza define-se por gastos de 1,25 dólares por dia, por pessoa.
Quanto à actualidade semanal na África Austral, o destaque recai para o Zimbabwe onde o Primeiro-ministro Morgan Tsvangirai rejeitou a realização das eleições esse ano e a redução pela União Europeia das sanções contra esse país.
Segundo Tsvangirai, as novas eleições não poderão ser organizadas este ano, porque as negociações para a elaboração de uma nova Constituição estão em curso.
"Um referendo (sobre a nova Constituição) não poderá ter lugar em Agosto ou em Setembro de 2011”, disse Tsvangirai quando recebia homens de negócios alemães. “O escrutínio não será esse ano. É por isto que eu digo que é impossível de realizar as eleições este ano", acrescentou, contrariando o presidente Mugabe que havia declarado que as novas eleições teriam lugar esse
ano, com ou sem Constituição.
Entretanto, a União Europeia (UE) decidiu retirar pelo menos 35 pessoas de uma lista de sanções contra altos dirigentes zimbabweanos, tomando nota dos progressos significativos registados no domínio económico, embora lamente a
ausência de passos similares a nível político.
"Progressos significativos foram registados para fazer face à crise económica e melhorar a prestação de serviços sociais de base", indica um comunicado da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, para quem a evolução económica e social não foi acompanhada de progressos equivalentes do ponto de vista político.
Na África do Oeste, Cabo Verde e Benin mereceram destaques com a vitória do Partido Africano da Independência de Cabo verde (PAICV) eleições legislativas elegendo 38 dos 72 deputados à Assembleia Nacional contra 32 do MpD e dois da UCID.
Com efeito a vitória do PAICV foi confirmada pela presidente da CNE, Rosa Vicente, numa conferência de imprensa e acordo com os dados definitivos divulgados pela CNE, o escrutínio registou a menor taxa de abstenção (23,98 porcento) desde 1991, ano em que tiveram lugar as primeiras eleições multipartidárias no arquipélago.
No entanto, este ano houve um aumento dos votos brancos para 1.248, contra 1.165 durante as anteriores legislativas de 2006, o que a presidente da CNE disse ser assunto para ser analisado pelos partidos, já que pode significar uma “forma de protesto” por parte dos eleitores.
Relativamente aos votos nulos, em 2006 registou-se um total de 3.525, enquanto em 2011 foi de 1.742, o que significa um decréscimo de quase metade.
Já no Benin, 11 dos 14 candidatos às eleições presidenciais de 6 de Março de 2011 pediram o adiamento do escrutínio por algumas semanas para permitir a inscrição de mais de um milhão de eleitores.
Na declaração, o colectivo dos candidatos pede “o adiamento por algumas semanas das eleições presidenciais para corrigir as irregularidades a respeito das disposições da nossa Constituição relativas à duração dos mandatos das instituições republicanas”.
O destaque foi também para a África do Leste, onde no Uganda se registou a realização de eleições gerais sexta-feira no Uganda o Sudão e Quénia.
No Uganda, o actual chefe de estado, Yoweri Museveni, que procura um quarto mandato e volta a ter como principal rival Kizza Besigye, do partido FDC, diz estar confiante em mais uma vitória enquanto o seu adversário já fala de fraude eleitoral.
Já no Sudão foi destaque a criação da denominação do novo Estado africano por alto -responsáveis sul -sudaneses como Sudão Sul, evitando oficialmente a ruptura com o grande Sudão.
Essa denominação é o resultado de uma decisão tomada pelo general Salva Kiir, Vice-Presidente do Governo do Sudão (GOSS), e dirigentes do Movimento do Sudão Sul, que conduziu a região à separação com o Norte, e o Movimento Popular de Libertação do Sudão Sul (SPLM), pondo fim às especulações sobre a escolha de nomes locais como Imatong ou Gortong ou mesmo Estado do Nilo.
No Quénia, o Primeiro-ministro e o parlamento do Quénia rejeitaram as nomeações de magistrados pelo presidente, Mwai Kibaki que conduziram a um braço de ferros com o chefe do governo, Raila Odinga.
No último mês, Kibaki nomeou um novo juiz - chefe, um procurador-geral, um director dos processos judiciários e um controlador do orçamento.
As nomeações conduziram a novas deserções no seio da frágil coligação governamental formada em 2008 para pôr fim as violências que haviam seguido as eleições. O presidente do parlamento, Kenneth Marende, considerou inconstitucionais essas nomeações devido ao desacordo entre Kibaki e Odinga.
"O governo espera o veredicto do Tribunal Constitucional", acrescentou Kibaki.