Nairobi - O chefe de Estado queniano, Mwai Kibaki, recebeu o apoio total dos líderes da África Oriental e Austral por ter convidado no Quénia a 27 de Agosto de 2010 o seu homólogo sudanês, Omar El-Béchir, objecto de um mandado de captura do Tribunal Penal Internacional (TPI), indicou quarta-feira o Gabinete do Presidente.
Os líderes africanos que participaram na Cimeira do Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA), realizada terça e quarta-feiras na Swazilândia, apoiaram o Presidente Kibaki por ter convidado o Presidente sudanês.
Num comunicado divulgado no fim da cimeira, os líderes indicaram que as críticas feitas contra o Quénia por ter convidado o Presidente El-Béchir durante a cerimónia de promulgação da nova Constituição eram infundadas, considerando o papel desempenhado pelo Quénia na mediação a favor do processo de paz no Sudão na perspectiva de um escrutínio decisivo para a declaração da independência do Sudão-Sul.
Os estadistas dos países do COMESA sublinharam que o papel desempenhado pelo Quénia na aplicação do Acordo de Paz Global obrigava-o a estar em contacto permanente com os responsáveis sudaneses e que, por conseguinte, os quenianos não erraram ao convidar El-Béchir para assistir a este evento histórico.
O Presidente Kibaki lançou uma campanha diplomática para recuperar a imagem do Quénia na sequência de uma condenação à escala internacional da decisão de acolher o Presidente El- Béchir em Nairobi.
Ele declarou durante a Cimeira do COMESA que o Governo sudanês precisava de um apoio permanente para aplicar o Acordo de Paz Global, antes de prevenir que isolem o Governo sudanês neste período crítico o que apenas afectaria os preparativos do referendo de Janeiro próximo, cujo fracasso poderia mergulhar o Sudão numa nova espiral de violência.
No entanto, a cimeira felicitou o Presidente Kibaki, o seu Governo e todo o povo queniano por ter organizado com êxito um referendo nacional democrático e pacífico.
A cimeira felicitou igualmente o Presidente El-Béchir pela sua reeleição, bem como os sudaneses por ter organizado eleições democráticas e pacíficas em 24 anos.