Maputo - O sector moçambicano da energia acumulou entre 212 a 318 mil euros de prejuízo devido aos tumultos ocorridos nas cidades de Maputo e Matola desde quarta-feira, anunciou hoje ministro da Energia.
Ao nível da empresa pública Eletricidade de Moçambique (EDM), o Governo, disse, "perdeu" várias viaturas, equipamentos, além de ter registado diversos casos de vandalização de agências de venda de energia e de duas bombas de combustível.
"Os prejuízos financeiros resultantes desta acção ainda estão por apurar, mas temos cerca de 10 a 15 milhões de meticais (212 mil a 318,2 mil de euros)", avançou o Ministro da Energia, Salvador Namburete.
Em entrevista à televisão STV, Salvador Namburete sublinhou que se trata de "uma estimativa preliminar, muito conservadora", sendo que apenas "nos próximos dias irão saber com maior exatidão o que aconteceu".
Em julho, a EDM anunciou o aumento das tarifas em 13,4 por cento. Por exemplo, um cliente que antes comprava cada kilowatt de energia por hora a 89,61 meticais, passa agora a pagar 101,6 meticais pelo mesmo consumo.
Nos últimos dias, os moçambicanos têm reivindicado e questionado, entre outros aspectos, esse aumento, visto Moçambique produzir energia internamente, a partir da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), na província de Tete, centro.
"Só faz sentido dizer que Cahora Bassa é nossa quando efetivamente a energia puder chegar a um número cada vez maior de moçambicanos e isso faz-se com grandes investimentos", defendeu o ministro da Energia, referindo-se em particular à expansão da eletrificação às zonas rurais.
Porém, salientou, "mesmo depois do ajustamento do preço, o que se paga pela energia continua a estar abaixo daquilo que são os custos da eletrificação" do país.
Por outro lado, acrescentou, falta a Moçambique "ter uma rede de transporte (da energia) dentro do país".
"Neste momento, a energia que produzimos ao nível da HCB, para chegar a Maputo e ao sul, tem que passar pela África do Sul", explicou Salvador Namburete, acrescentando que o Governo necessita de "1,8 mil milhões de dólares" (1,4 mil milhões de euros) para construir a linha de transmissão de energia Tete-Maputo.
Este valor, explicou o ministro, o Estado irá buscar aos recursos internos: tarifa paga pelas pessoas, orçamento de Estado e às próprias receitas através da via fiscal.