Kampala - A oposição burundesa apelou quinta-feira o presidente Pierre Nkurunziza ao diálogo e para realizar imediatamente "consultas pela paz e a democracia", reconhecendo assim pela primeira vez a sua reeleição nas presidenciais de Junho.
"É mais que urgente que o presidente (Nkurunziza) instaure imediatamente um quadro de diálogo entre si e a ADC" (Aliança democrática para a mudança, coligação que agrupa as principais formações da oposição), declarou o presidente da ADC, Léonce Ngendakumana.
"Isso para consolidar a paz e reforçar as bases de uma verdadeira democracia no Burundi", explicou durante uma conferência de imprensa o também presidente do partido Frodebu.
A ADC agrupa 12 partidos da oposição, dos quais a ex-rebelião das Forças nacionais de libertação (FNL), que se retiraram do processo eleitoral iniciado em Maio passado.
A ADC rejeitava até à data reconhecer a reeleição de Nkurunziza (no poder desde 2005) e exigia novas eleições gerais.
"A questão de novas eleições já não se põe (…) e Nkurunziza, é o presidente", concedeu Ngendakumana.
O responsável da ADC, que esteve acompanhado de vários epresentantes de partidos membros dessa coligação, desejou que o diálogo com o chefe de Estado trate "da insegurança que se tornou bastante preocupante", da "libertação dos presos políticos" e da "criação de condições políticas e de segurança que permitam o regresso do exílio dos diferentes líderes da oposição que fujiram do Burundi".
"Exigimos esse diálogo. O presidente Nkurunziza e o seu partido a CNDD-FDD devem realizar este diálogo", insistiu Ngendakumana.
"Se não os burundeses vão se constranger (…) e pode-se chegar a uma situação de guerra no Burundi" , alertou.
"Há rumores persistentes de uma rebelião nascente, há por toda a parte jovens que deixam as suas colinas para se deslocar onde não sabemos, os ataques, os assassinatos e os voos de alimentos multiplicaram-se", recordou Ngendakumana, constatando que "cada vez mais o poder fala de bandidos armados".
"É desta forma que iniciaram os movimentos rebeldes que existiram neste país", sublinhou.
Em guerra civil até 2003, o Burundi atravessa uma grave crise política desde as eleições comunais de 24 de Maio, ganhas largamente pelo partido no poder e cujos resultados foram contestados pela oposição.
As presidenciais de Junho foram ganhas pelo chefe de Estado cessante, candidato único do escrutínio. O seu partido CNDD-FDD venceu seguidamente as legislativas e no senado.
Os ataques à granada e assassinatos se multiplicaram e foram seguidos de centenas de detenções nas fileiras da oposição. Três chefes da oposição fujiram do país ou entrou na clandestinidade.