Luanda - A semana finda foi dominada por três importantes eventos politicos, nomeadamente a décima quinta sessão da Cimeira dos chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), em Kampala, Uganda, da CPLP e dos PALOP, estas duas últimas aconteceram na capital angolana, Luanda.
Entretanto, os líderes africanos reunidos em Kampla de 25 a 27 de Julho, sob lema a "Saúde Materna e Infantil e o Desenvolvimento em África", abordaram igualmente aspectos ligados à situação politica e económica no continente e os conflitos em algumas regiões de África.
A cimeira definiu tarefas perspectivando a inserção continental na ordem politica mundial, e classificaram este ano como o da viragem para a descolagem do continente, onde cada país tem um papel a desempenhar.
Outro assunto a destacar durante a semana em analise foi a situação politica na Guiné Bissau, que mereceu atenção dos chefes de Estado reunidos no quadro da CPLP e dos PALOP.
Ao reagir sobre várias pressões e críticas de países e organizações internacionais em relação à nomeação de António Indjai para a chefia das Forças Armadas guineenses, dado que foi o protagonista da intervenção militar de Abril, Bacai Sanhá voltou a frisar que foi uma decisão soberana que não pode ser questionada.
"Aí não há discussão. O António Indjai vai continuar ali. Eu penso que o António Indjai poderá vir a surpreender muita gente em termos de pontualidade na execução do programa da reforma (do sector de Defesa e Segurança) ", considerou o chefe de Estado guineense.
Por outro lado, a designação do presidente sul africano, Jaco Zuma como porta-voz de África contra terrorismo foi igualmente noticia de destaque durante a semana finda.
Em Kampala Jacob Zuma indicou que os dirigentes africanos estão prontos para lutar contra o terrorismo, na sequência do duplo atentado de Kampala que, a 11 de Julho, causou 76 mortes.
Sudão - durante a semana em analise, a União Africana (UA) reiterou o seu apoio total ao Presidente sudanês, Omar Hassan El Bechir, alvo de um mandado de captura do Tribunal Penal Internacional (TPI) por genocídio.
A detenção de El-Bechir constituiria uma violação da impunidade dos dirigentes eleitos, declarou o Presidente em exercício da UA, o malawí Bingu wa Mutharika, afirmando que o mandado de captura contra o líder sudanês era uma violação da imunidade dos chefes de Estados dos países independentes e devia ser rejeitado.
Ainda durante a semana em analise, a fixação da data para as eleições gerais na República Centro africana (RCA) esteve em destaque na imprensa.
Segundo um decreto presidencial, o corpo eleitoral da República Centro Africana é convocado a 23 de Janeiro de 2011 para as eleições presidenciais e legislativas". Inicialmente previstas para 25 de Abril, as eleições foram adiadas para 16 de Maio e seguidamente sine die. Em meados de Junho, a Comissão Eleitoral Independente (CEI) havia proposto fixá-las para 24 de Outubro mas o presidente decidiu não seguir este parecer.
No Burundi - o partido no poder no Burundi, o CNDD-FDD, venceu por maioria esmagadora as eleições senatorias de quarta-feira, com 32 dos 34 assentos em disputa, durante um escurtínio boicotado pela oposição, segundo os resultados provisórios anunciados sexta-feira, pela Comissão nacional eleitoral (Ceni).
" O Senado de 2010 será composto por 34 senadores eleitos quarta-feira, sendo 32 do Conselho nacional para a defesa da democracia (CNDD-FDD) e dois da União para o progresso nacional (Uprona), antigo partido único maioritariamente tutsi, quer dizer,17 Hutus e 17 Tutsis ".
Em São Tomé e Príncipe - o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP-PSD) obteve mais votos a nível nacional nas eleições locais no país, mas os dois maiores distritos foram ganhos pela Acção Democrática Independente, segundo a Comissão Eleitoral Nacional.
Face a este quadro, o vice-presidente do partido do Presidente da República de São Tomé e Príncipe, João Costa Alegre, denunciou a "compra descarada" de votos nas eleições, facto que, segundo a fonte, influenciou os resultados.
No dominio social, a semana em analise foi marcada pela morte de 140 pessoas num acidente de barco, ocorrido no rio Kasai, um afluente do rio Congo, na província de Bandundu. A embarcação trazia a bordo passageiros e tripulação, mas também mercadorias.