Cidade da Praia - O Presidente da República, Cavaco Silva, apontou terça-feira a possibilidade de, pela sua situação geoestratégica privilegiada, Cabo Verde constituir para os empresários portugueses uma "plataforma de acesso a outros mercados e regiões".
Num discurso no banquete oferecido em sua honra pelo seu homólogo cabo-verdiano, no âmbito da visita de Estado de dois dias que realiza a Cabo Verde, Cavaco Silva voltou a lembrar a existência de potencialidades ainda escassamente exploradas em áreas como a economia do mar.
Uma das áreas em que Portugal e Cabo Verde possuem abundantes recursos, com enorme potencial, é o Mar. Uma visão de futuro para a nossa cooperação implica necessariamente um maior aproveitamento do 'cluster' marítimo de Cabo Verde, que resulta da sua condição arquipelágica e posição geográfica, nas rotas do Atlântico Sul", observou.
"Estou convencido de que os nossos empresários poderão tirar partido dessa situação para utilizar Cabo Verde como plataforma de acesso a outros mercados e regiões, apostando, simultaneamente, no desenvolvimento e na consolidação de uma verdadeira economia do Mar", acrescentou.
A economia do mar, sublinhou, constitui uma das áreas de "complementaridade" entre os dois países que "podem e devem ser mais
bem exploradas".
Perante o presidente cabo-verdiano, Pedro Pires, o Chefe de Estado português vincou que Portugal e Cabo Verde estão unidos por "interesses convergentes de longo prazo" em domínios que vão da política à economia, da cultura à educação, à formação de recursos humanos ou à ciência e tecnologia.
"O âmbito da nossa cooperação bilateral é vasto e abrangente. Portugal ocupa um lugar cimeiro entre os parceiros comerciais de Cabo Verde. Os nossos empresários estão presentes nos mais variados domínios, incluindo o turismo, as energias renováveis, a construção, as obras públicas, o setor financeiro", enumerou.
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e o seu "valor estratégico" é outra das áreas em que os dois países partilham "uma mesma visão".
"Os desafios com que todos nos confrontamos no mundo actual, como é o caso da crise económica e financeira, deixam bem claro que uma CPLP reforçada e influente no contexto internacional significará, para os seus Estados-membros, uma capacidade acrescida de promoção e defesa dos seus interesses e objetivos", observou.