Harare - O presidente sul-africano, Jacob Zuma, iniciou hoje (quarta-feira) as discussões no Zimbabwe com o seu homólogo Robert Mugabe e o Primeiro-ministro Morgan Tsvangirai, enquanto que se multiplicam neste país os apelos para novas eleições.
Zuma apareceu alegre, gracejando com os jornalistas antes do início das conversações oficiais em Harare.
Sob a mediação regional efectuada pela África do Sul, Mugabe e Tsvangirai, o seu rival, formaram um governo de união em Fevereiro 2009.
Os dois são pressionados pela comunidade internacional que quer ver o fim da crise económica neste país e as violências que se acentuaran após as eleições de 2008, onde pela primeira vez o campo de Mugabe tinha sofrido uma derrota.
O governo de união teve, contudo, um mau funcionamento porque os dois campos se encontram em total desacordo sobre as nomeações aos postos-chaves, dos quais o de governador do banco central, e Tsvangirai afirma que os seus apoiantes continuam a ser maltratados.
As pressões aumentaram sobre as partes, os signatários do pacto de partilha de poder, visando ambas as partes redigirem uma nova constituição que deve fixar novas eleições para Fevereiro de 2011.
Um dos assuntos abordados hoje (quarta-feira) é sobre as sanções ocidentais, nomeadamente da União Europeia impostas em 2002, após o confisco violento de terras de agricultores brancos em 2000.
Robert Mugabe reclama o seu levantamento e Zuma é favorável à esta posição do seu homólogo.
"O presidente (Mugabe) quer saber em primeira mão o que presidente Zuma e o Primeiro-ministro britânico conversaram a respeito das sanções, declarou um responsável do Zanu-PF hoje (quarta-feira) de manhã à AFP.
"O assunto é importante e ele quer resposta a este respeito", acrescentou.
Brown quer mais progressos democráticos no Zimbabwe, antiga colónia britânica, antes de encarar uma resposta favorável ao levantamento das sanções da UE que havia sido solicitada pelo presidente sul-africano em Londres.
Mugabe, 86 anos de idade, no poder desde a independência do Zimbabwe em 1980, disse estar disposto para se candidatar para um novo mandato.
Tsvangirai apelou à comunidade internacional à supervisionar as eleições ara se evitar uma repetição de violência sangrenta de 2008.
" Não queremos eleições violentas, queremos um escrutinio livre ", sublinhou semana passada durante uma reunião com os seus partidários.