Luanda – As sanções contra o presidente auto-proclamado de Madagáscar, decididas pela União africana (UA), a dissolução do governo federal da Nigéria e o número de seropositivas na ordem de 3,5 milhões de pessoas em África, são entre outros, acontecimentos que marcaram o panorama politico e social da África durante a semana finda.
Entretanto, durante a semana em análise, a União Africana (UA) votou sanções contra o Presidente auto-proclamado de Madagáscar, Andry Rajoelina, e 108 membros do seu círculo, incluindo oficiais superiores do Exército, juízes e responsáveis do seu partido político, por terem negligenciado as pressões internacionais para o regresso a um poder legalmente eleito.
Todos eles estão proibidos de viajar ao estrangeiro e suas contas bancárias e os seus bens foram congelados.
A propósito da decisão da UA, o representante da Zâmbia no Conselho de Paz e Segurança (CPS) da União africana, Albert Muchanga, reagiu dizendo que “há um ano que o governo naquele país foi mudado de maneira nti-constitucional".
Para o comissário da UA para a Paz e Segurança, Ramtane Lamamra, a organização panafricana deveria ter imposto sanções há muito tempo, mas ela deu tempo para o alcance de um acordo.
"A nossa paciência tem limites. Pensamos que as sanções vão levar as partes a negociar", declarou Lamamra.
"Os acordos (inter-malgaxes) de Maputo e de Addis Abeba foram assinados seis meses depois do golpe de Estado. Não votamos sanções porque desejamos dar oportunidades à aplicação destes acordos", acrescentou Lamamra, durante uma conferência de imprensa.
O comissário da UA para a Paz e Segurança afirmou que estas sanções foram infligidas ao Presidente Rajoelina porque ele declarou publicamente que rejeitava estes acordos.
Ainda durante a semana finda, na Nigéria, África do Oeste, o Presidente interino, Goodluck Jonathan, dissolveu o governo e um outro executivo é aguardado na próxima semana.
Segundo avançaram fontes dignas de crédito, um novo governo deverá ser apresentado na próxima semana, incluindo mais de metade dos membros do gabinete dissolvido quarta-feira pelo Presidente interino.
Goodluck Jonathan "está já em discussões com a direcção do Senado de modo que a aprovação das pessoas escolhidas se faça rapidamente", precisou uma fonte presidencial.
Jonathan está à frente do país pouco mais de um mês após ter substituído o Presidente eleito, Umaru Yar'Adua, afastado do poder devido ao seu estado de saúde.
Após três meses de hospitalização na Arábia Saudita, regressou à Nigéria a 24 de Fevereiro mas, desde entã,o nenhum responsável político o viu oficialmente.
Vice-presidente desde 2007, Jonathan tornou-se Presidente interino a 09 de Fevereiro, a pedido do Parlamento que temia que a ausência prolongada de Yar'Adua mergulhasse num caos a Nigéria, país mais povoado de África e oitavo exportador mundial de petróleo.
Na África Central, durante a semana finda, a República de São Tomé e Príncipe foi igualmente manchete na imprensa internancional, como o anúncio da realização de eleições locais e regionais ainda no segundo semestre do ano em curso.
Neste quadro, as eleições lociais terão lugar a 25 de Julho, enquanto as legislativas estão marcadas para 01 de Agosto, segundo um decreto presidencial publicado quinta-feira passada.
O presidente Fradique de Menezes assinou quarta-feira o decreto, um dia após a audiência concedida aos responsáveis da Comissão Eleitoral Nacional (CEN).
Refira-se que, de acordo com o calendário eleitoral, antes anunciado, as legislativas estavam previstas para Março de 2010, mas a Assembleia Nacional decidiu adiá-las, devido ao atraso que se regista na importação do material informático para as operações eleitorais.
As eleições locais estavam programadas para Agosto de 2009, tendo sido adiadas sem data por falta de dinheiro.
O governo santomense estima que são necessários mais de 1,4 milhões de euros para a realização desse escrutínio, que deverá renovar as assembleias de seis distritos de São Tomé, a principal ilha, e da região autónoma do Príncipe, cujo mandato é de três anos.
O último escurtínio local foi realizado em Agosto de 2006. Por outro lado, São Tomé e Príncipe deverá realizar as eleições presidencias em 2011.
Ainda durante a semana finda, a Sida em África foi uma outra matéria que fez manchete na imprensa.
Entretanto, o número de pessoas com HIV a ser tratado em África já atingiu os 3,5 milhões.
Dados da ONU relativamente a doença indicam que nos últimos anos foram evitadas cerca de 400 mil novas infecções no continente.
O número de pessoas com acesso a tratamento anti-retroviral aumentou significativamente, enquanto há alguns anos esse número era inferior a 50 mil.
Actualmente, o número atingiu 3,5 milhões de pessoas em tratamento, de acordo com dados revelados por uma fonte da ONU, à margem do III Congresso da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) sobre SIDA, que decorreu em Lisboa até sexta-feira última.