Lisboa - A área de embalagens dos medicamentos antirretrovirais a serem produzidos numa fábrica em Moçambique, projecto que conta com o apoio do Governo brasileiro, estará pronta no segundo semestre de 2010, disse hoje uma responsável da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
"A primeira etapa do projecto é a instalação da área de embalagem dos medicamentos, prevista para estar pronta no segundo semestre de 2010", disse à Agência Lusa Célia Almeida, directora do escritório regional de representação da Fiocruz para a África, localizado em Maputo, Moçambique.
A fábrica de medicamentos antirretrovirais é um projecto que está a ser executado pelo Governo moçambicano, com a ajuda financeira e de transferência de tecnologia do Governo brasileiro e supervisão da Fiocruz, entidade de pesquisa em saúde e produção de medicamentos no Brasil.
"Não existe uma data para o começo da produção dos medicamentos, mas a partir do momento que esta primeira etapa estiver a funcionar, que é fundamental, pensamos que poderá ser dado seguimento às demais etapas do projecto", referiu Célia Almeida.
"A construção está numa fase muito avançada, neste momento estamos nos últimos preparativos para uma inauguração em breve", afirmou Mouzinho Saíde, à margem do III Congresso da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) sobre SIDA, que decorreu entre quarta e sexta-feira, em Lisboa.
"Não temos datas para a inauguração, esperava-se que até ao final deste ano provavelmente poderíamos iniciar o funcionamento, mas não temos datas exactas", explicou o director moçambicano.
Segundo Célia Almeida, "o Governo brasileiro aprovou, em Dezembro, a doação de três milhões de dólares para a compra de equipamentos desta área de embalagem".
"Estamos a apoiar a instalação do equipamento, da capacidade física necessária para este processo, e também estamos a apoiar a capacitação de profissionais, porque Moçambique não tem farmacêuticos especializados em farmácia industrial, e na área de certificação", referiu a responsável da Fiocruz.
Moçambique está entre os 10 países com maior número de pessoas infectadas com o VIH/SIDA, que correponde a 15 por cento da população.
A directora da Fiocruz disse ainda que a fundação tem vários projectos de cooperação em África, sendo os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), sobretudo na área de saúde, a sua prioridade.
Outras colaborações da Fiocruz em Moçambique são um mestrado de ciências e saúde, a cooperação no âmbito materno infantil, estando a entidade brasileira a ajudar na criação do Instituto Nacional da Mulher e Criança, e num banco de leite.