Lomé - O principal opositor no Togo, Jean-Pierre Fabre, rejeitou novamente a vitória do presidente cessante Faure Gnassingbé nas presidenciais de 04 de Março confirmada pelo Tribunal constitucional quinta-feira, de acordo com uma informação da oposição.
"A Frac (Frente Republicana para a Alternância e a Mudança, oposição) e o presidente eleito Jean-Pierre Fabre rejeitam categoricamente estes resultados", declarou durante uma conferência de imprensa o director de campanha desta frente, Patrick Lawson.
A Frac reune três partidos da oposição, representados nas presidenciais por Fabre, da União das Forças para a Mudança (UFC). Os dois outros partidos são a Organização para a construção na união de um Togo solidário (OBUTS) de Agbéyomé Kodjo e o Sursaut Togo (bem para o Togo), do franco-togolês Kofi Yamgnane, que esteve presente quinta-feira na conferência de imprensa.
O Tribunal constitucional confirmou quinta-feira a re-eleição de Faure Gnassingbé, filho do falecido general Eyadéma que reinou neste país durante 38 anos, anunciada pela Comissão eleitoral nacional independente (Céni) a 06 de Março.
As decisões do Tribunal constitucional são sem recursos.
Fabre e a Frac "apelam a população a não aceitar e a opôr-se a este resultado eleitoral do regime RPT", a União do povo togolês, partido de Gnassingbé, prosseguiu Lawson.
Acrescentou que os togoleses estavam convidados a "continuar mobilizados até a devolução do poder a Jean-Pierre Fabre".
A oposição manifestou-se várias vezes nas ruas de Lomé contra a vitória de Faure Gnassingbé nestas últimas semanas, concentrações às vezes dispersadas pelas forças da ordem com gás lacrimogéno.
Fabre rejeitou categoricamente a sua derrota a 07 de Março, um dia após o anúncio dos resultados provisórios pelo Céni, assegurando ter ganho as eleições com 55 a 60% dos votos em todo o território.
Gnassingbé, 43 anos, chegado ao poder em 2005 após a morte do seu pai, recolheu 60,88% dos sufrágios aquando das eleições a uma volta de 04 de Março, e Fabre obteve 33,93%, segundo o Tribunal constitucional.
Denunciando um processo "caracterizado por uma opacidade desejada e realizada pela Céni e o governo", Lawson acusou quinta-feira Gnassingbé de querer "roubar" a vitória a Fabre.
As eleições desenrolaram-se na calma de acordo com os observadores, dos quais alguns relevaram "insuficiências" no que respeita a fiabilidade e a autenticação dos boletins de voto.