Cairo - A Organização da Conferência Islâmica (OCI) reunem-se domingo próximo, em Cairo, para tentar reunir dois bilhões de
dólares para a reconstrução de Darfur, província do Sudão vítima desde 2003 de uma guerra civil.
Segundo a AFP, cerca de vinte países não-membros da OCI, bem como 50 instituições internacionais e organizações não governamentais estão igualmente convidados na reunião que será co-presidida pelo Egipto e pela Turquia.
Estes dois bilhões de USD, a recolher sob a forma de doações ou empréstimos, correspondem o total dos financiamentos necessários para uma longa lista de projectos elaborada em concertação com Cartum, nos domínios da agricultura, da água, da saúde e da educação.
A conferência "visa a enviar uma mensagem clara à comunidade internacional que o desenvolvimento constitui o factor-chave para realizar a paz e a estabilidade em Darfur", segundo um comunicado egípcio.
Os organizadores desejam também fazer evoluir a ajuda em Darfur, até agora actualmente centrada na ajuda humanitária de urgência, para uma assistência a mais longo prazo consagrada ao desenvolvimento e à reconstrução.
Os fundos poderão ser disponibilizados directamente ou passando pela OCI em coordenação com o governo sudanês. Um acompanhamento dos projectos deve ser assegurado através de uma estrutura da OCI.
A conferência do Cairo, prevista à nível ministerial, quer igualmente incitar a "todos os movimentos de Darfour a juntar-se às negociações de paz" engajadas em Doha, sublinha o comunicado egípcio.
Estas negociações conduziram quinta-feira à assinatura de um acordo-quadro de paz entre as autoridades sudanesas e a facção rebelde minoritária de Darfur, o Movimento da libertação para a justiça (MLJ).
Outro acordo foi concluído há três semanas com um importante grupo rebelde, o Movimento para a justiça e igualdade (JEM), largamente congratulado pela comunidade internacional.
No entanto, outra formação importante da rebelião, o Exército de libertação do Sudão de Abdelwahid Nour (SLA-Abdelwahid), recusa sempre a se juntar a este processo.
A conferência do Cairo é organizada três semanas antes das primeiras eleições (legislativas, regionais e presidenciais) multipardárias sudanesas desde 1986, previstas em princípio de 11 a 13 de Abril.
O Egipto e muitos outros países da OCI figuram entre os melhores aliados do regime do presidente Omar el-Béchir, candidato à sua própria sucessão e sob um mandado de captura do Tribunal penal internacional (CPI) por crimes de guerra e contra a humanidade em Darfur. A própria OCI tomou posição contra este mandado de captura.
Acolhendo a conferência do Cairo, o Egipto entende também aumentar a sua visibilidade num dossier onde apareceu, ao inverso do Qatar, relativamente apagado apesar da sua proximidade com o Sudão.
Darfur, vasta região do oeste sudanês, é vítima desde 2003 de um conflito que opõe movimentos armados às forças armadas sudanesas apoiadas por milícias locais. O conflito causou 300.000 mortes de acordo com as estimativas da ONU, 10.000 segundo Cartum, e 2,7 milhões de deslocados.