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13-03-2010 15:21

África/Música
CD reúne 22 temas e juntou ritmos africanos, portugueses e brasileiros

Lisboa (Portugal) - O álbum "Duo Ouro Negro Perfil)", a editar na próxima segunda feira, recupera 22 temas do grupo angolano que a partir de Lisboa espalhou uma música de fusão usando ritmos africanos, brasileiros e portugueses. 


 
Segundo a Lusa, dos conhecidos temas "Eliza" (1967) a "Muxima" (1960), que recentemente deu título a um álbum de versões de canções do duo, o álbum editado pela IPlay/Valentim de Carvalho apresenta temas menos conhecidos como "Hava naguila" (1964). 


  
O baixista angolano Yami afirmou à Lusa que o Duo Ouro Negro foi pioneiro nesse diálogo África/Brasil/Europa, e até do que hoje chamamos world music. 


  
"Muxima", "Mana Fatita" e "Kurikutela", todos gravados em 1960 são os temas mais antigos incluídos neste CD, sendo o mais recente "Vou levar-te comigo" (1979).  


  
O álbum integra temas com arranjos musicais de Thilo Krassmann, e outros acompanhados por orquestras dirigidas por Jorge Machado, Jorge Leone, ou Joaquim Luís Gomes.  


  
Entre estes estão as canções "Maria Rita" (1962), "Moamba, Banana e Cola" (1969), "Garota" (1961), "Rita flor de canela" (1968) ou "Au revoir Sylvie" (1966), entre outras.  

  
"La Mamma" de Charles Aznavour e "Meadowlands" são dois temas inseridos no CD representativos do período 1964/1965 em que o duo se fazia acompanhar pelo Conjunto Mistério.  


  
O CD integra ainda uma versão da "I want to hold your hand" dos Beatles, intitulada "Agora vou ser feliz", gravada em 1964.  


  
O Duo Ouro Negro era constituído por Raúl Indipwo e Milo MacMahon, já falecidos, naturais de Angola, e que residiram em Portugal, de onde fizeram uma carreira internacional que os levou aos mais diferentes palcos, nomeadamente ao Olympia, em Paris.  


  
No Olympia integraram um cartaz com nomes como Carlos Paredes, Simone de Oliveira e Amália Rodrigues, e posteriormente um outro em que entre outros constavam a cantora italiana Gigliola Cinquetti.  


  
Tendo começado nas lides artísticas em 1956, saltaram rapidamente para a ribalta, e em 1959 eram já uma revelação.  


  
Na década de 1960 editaram vários discos e lançaram o que a imprensa considerou uma moda - o "Kwela" - que chegou a Paris.  


  
O grupo concorreu a vários festivais RTP da canção e tocou além fronteiras, designadamente na Finlândia, Dinamarca, Canadá, Brasil onde participou no Festival da canção do Rio de Janeiro, Estados Unidos, Suécia, Suíça e no Mónaco, onde integraram o cartaz dos festejos do IV Centenário do Principado. 


  
O duo terminou em Fevereiro de 1985 com a morte de Milo MacMahon.


Raúl Indipwo prosseguiu uma carreira a solo a que se associam os Irmãos Verdades, tendo falecido em Junho de 2006. 
 






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