Addis Abeba - A União africana está a elaborar uma lista dos indivíduos procedentes do actual regime malgaxe e que serão objecto de sanções a partir de 17 de Março próximo, declarou hoje (quinta-feira), o Comissário para a paz e segurança da União Africana (UA), Ramtane Lamamra.
Falando à imprensa na sede da UA , em Addis Abeba, recordou que " as sanções entrarão em vigor a 17 de Março".
"A decisão de impor sanções já foi tomada pelo Conselho de paz e de segurança, salvo se antes de 16 de Março as autoridades no poder em Madagáscar aceitem formalmente a aplicação dos acordos" , acrescentou.
" O que nos resta fazer é a lista das pessoas e de entidades que estarão sujeitas à sanções. Esta lista está a ser elaborada conjuntamente pela UA e SADC (Comunidade económica de desenvolvimento de África austral) em consulta com outros parceiros e será submetida à reunião do CPS no próximo dia 17 de Março" , explicou.
De acordo com Lamamra, a recusa do movimento do actual homem forte do Madagáscar, Andry Rajoelina, de participar nas consultas em Addis Abeba mostra " claramente" que eles " não querem retornar o processo de Maputo e Addis Abeba".
No Início de Março, Rajoelina, recusou participar nesta reunião sob a égide da UA com os três outros movimentos.
A reunião visava levar a efeito os acordos de Maputo e Addis Abeba, assinados no ano findo pelas partes malgaxes, e formar o quadro de uma transição consensual, única saída possível à crise, segundo a Comunidade internacional.
Rajoelina saiu deste quadro em Dezembro, quando destituiu o Primeiro-ministro de consenso e, a 19 de Fevereiro, a UA lançou um ultimato até 16 de Março para aplicação dos acordos, ameaçando a equipa no poder de sanções orientadas.
Madagáscar está mergulhada numa crise política grave desde finais de 2008, que conduziu à saída em Março de 2009 do presidente Marco Ravalomanana e à sua substituição pelo seu principal opositor e antigo presidente da câmara municipal de Antananarivo, Andry Rajoelina, apoiado pelo exército.