Lagos - Um período de três dias de jejum e orações começou hoje (quinta-feira para as centenas de pessoas mortas nas violências inter-confessionais de domingo passado na periferia de Jos, capital do Estado de Plateau.
Os dias de jejum e orações foram decretados pelo governador do Estado de Plateau, Jonah Jang, que se dirigiu aos seus administrados quarta-feira para fazer baixar a tensão na região.
"Exorto cada um de nós a conceder três dias de jejum e oração a partir de quinta-feira 11 de Março até sábado 13 de Março para pedir a Deus para perdoar os nossos pecados e pedir-lhe para trazer a paz em Plateau e na nossa cara nação, a Nigéria", disse o governador.
Ele advertiu as populações de eventuais represálias, convidando-as a coabitar em paz e ter relações de boa vizinhança.
Esta advertência de Jang foi lançada enquanto a Polícia anunciou que alguns dos autores de massacre de domigno confessaram o acto.
"Alguns Fulanis (que cometeram os massacres) foram pagos, outros eram voluntários", declarou o comissário da Polícia do Estado, Ikechukwu Aduba.
"Eles não revelaram quem os enviou, mas confessaram que estavam em missão de vingança", acrescentou.
Segundo o Governo do Estado, pelo menos 500 pessoas, na maioria mulheres e crianças, foram mortas domingo quando criadores fulanis muçulmanos atacaram três aldeias - Dogo, Nahawa, Zot e Ratsat - na periferia de Jos nas primeiras horas do dia e massacraram os aldeões, na sua maioria cristãos, num ataque em represália contra as violências de Janeiro que fizeram 326 vítimas.
A Polícia estimou o balanço das vítimas em 109 pessoas e revelou que mais de 200 indivíduos foram detidos e serão brevemente julgados.
"Este dado de 109 é autêntico e evidente e os números exagerados compreendidos entre 371 e 500 indicados pelo comissário para a Informação do Estado são inventados e não devem ser tidos em consideração", precisou a Polícia.
Segunda-feira, as vítimas do massacre foram inumadas em fossas comuns.
O Presidente interino, Goodluck Jonathan, demitiu o conselheiro Nacional para a Segurança, o general reformado Sarki Mukhtar, e ordenou um inquérito sobre os massacres, os últimos duma série desencadeados pela cobiça das terras férteis entre os criadores migrantes fulanis, que são muçulmanos, e a população local cristã.