Abuja - A polícia nigeriana afirma que 49 indivíduos foram acusados de assassínio depois da violência do passado fim-de-semana, em redor da cidade de Jos, reporta hoje (quinta-feira a BBC.
A maior parte dos acusados são muçulmanos do grupo Fulani e o número dos detidos ascende aos 200.
Embora informações anteriores tenham dado conta de mais de 500 mortos, a polícia disse agora que tais números eram falsos e que se tratava apenas de pouco mais de uma centena.
Mas o correspondente da BBC, numa das aldeias afectadas, referiu que só nessa localidade tinham sido mortas mais de 100 pessoas.
A polícia no centro da Nigéria deu conta que afinal o número de mortos é de 109. O chefe da polícia regional, Ike-chukwu Aduba, afirmou que os dados divulgados anteriormente de 500 mortos tinham sido inventados.
Aduba disse que os suspeitos que foram detidos tinham confessado a sua participação nos ataques de domingo:
"Eles concordaram, disseram que sim, que tinham levado a cabo este ataque, que tinham assassinado pessoas... E alguns deles eram voluntários,
outros foram pagos."
Questões sobre a forma como a violência aconteceu continuam a ser colocadas, uma vez que a área estava sob a imposição de um recolher
nocturno obrigatório.
Gangs armados atacaram aldeias cristãs e segundo a correspondente da BBC numa das aldeias afectadas, provocaram centenas de mortos.
Os sobreviventes dão conta que foram deixados sem defesa e a nossa correspondente disse que à medida que passava pela aldeia de
Dogo-Nahawa, nos arredores de Jos, não avistou quaisquer militares mas apenas dois polícias.
A aldeia está sujeita a novos ataques e as pessoas vivem com medo que tal aconteça.
As pessoas estão a começar a tomar controlo da própria segurança ao organizarem grupos de jovens que afirmam que se as autoridades não os
podem proteger, eles protegem-se a si próprios.
O Papa Bento XVI denunciou a violência como atroz e apelou a líderes civis e religiosos que se esforcem por manter a segurança e para uma
co-existência pacífica.
A violência seguiu-se a confrontos em janeiro também em redor de Jos, que provocaram a morte a mais de 300 pessoas, a maior parte das quais
muçulmanas.
O estado de Plateau, no centro da Nigéria, situa-se entre o sul cristão e o norte muçulmano.
Mas embora se trate de uma disputa entre muçulmanos e cristãos, analistas dizem que as causas subjacentes são sobretudo económicas e políticas.