Bujumbura - O chefe do Estado burundês, Pierre Nkurunziza, tentou sensibilizar os docentes do primário e secundário, em greve desde há uma semana, às duras realidades do país com a esperança de os chamar à razão, anunciou hoje (sábado) a PANA.
Durante um encontro, sexta-feira, com os governadores das 17 províncias do país, o Presidente burundês recordou, nomeadamente, que o país tira 50 por cento dos seus recursos financeiros do exterior e, por conseguinte, não pode satisfazer todas as reivindicações dos grevistas.
Estes últimos exigem o pagamento de dois anos de atrasos de salário, ou seja o equivalente de 43 milhões de dólares americanos, para 42 mil docentes.
O Governo apenas tem, neste momento, a metade do valor exigido pelos docentes, mas espera regularizar a situação num período de cinco anos, por falta de dinheiro disponível de imediato nos cofres do Estado para satisfazer as reivindicações, indica-se no Ministério do Ensino Primário e Secundário.
Portanto o braço de ferro continua, mas o Governo tomou medidas de segurança em volta das escolas após a propagação de rumores sobre possíveis violências físicas contra docentes que pretendem quebrar o movimento de greve.
Dois sindicatos novamente agregados apelaram para a continuação do trabalho um pouco antes do desencadeamento da greve, mas sem grande sucesso por enquanto.
O chefe do Estado avisou que os docentes grevistas não serão pagos por todo o tempo em que cessarem de trabalhar.
O Conselho Nacional do Pessoal do Ensino do Secundário (CONAPES), o Sindicato Livre dos Docentes do Burundi (SLEB) e o Sindicato dos Trabalhadores do Ensino do Burundi (STEB) são os três principais sindicatos protagonistas da greve em curso no sector da educação nacional.
No entanto, a greve está a ser mal vista pelos alunos e pelos seus pais, pois iniciou numa altura em que as provas do segundo semestre iam começar.