Praia - O Movimento para a Democracia (MpD) completa hoje 20 anos e está a viver um período de ansiedade, na expetativa de regressar ao poder após nove anos a liderar a oposição em Cabo Verde.
Carlos Veiga, que regressou à liderança do MpD em 2009, já assumiu publicamente acreditar que voltará a chefiar o Governo após eleições legislativas de 2011, em que tem como adversário o poderoso "aparelho" do Partido Africano da Independência de cabo Verde (PAICV), no poder desde 2001.
"Estamos no terreno e, em 1990 (após a abertura política - as primeiras eleições legislativas pluralistas ocorreram em Janeiro de 1991), também ninguém diria que venceríamos a votação", disse Carlos Veiga à Agência Lusa, afirmando "não temer" o "poder" do PAICV.
Veiga, que chefiou o Governo entre 1991 e 2000, altura em que o abandonou para se candidatar às Presidenciais (saiu derrotado por Pedro Pires em 2001 e 2006), garante que o MpD é "uma alternativa" ao PAICV, acreditando que a alternância democrática que se tem registado no arquipélago se vá manter.
Há 20 anos, a 14 de Março de 1990, ainda vigorava o regime de partido único, que acabaria meses depois, um grupo de personalidades de vários quadrantes, após inúmeras jornadas de reflexão", acabaria por pôr a circular um manifesto em que pedia "igualdade para todos os cidadãos".
Nesse mesmo dia, nascia o Movimento para a Democracia (MpD) que, no manifesto, elaborado pelo antigo presidente da Câmara da Cidade da Praia, Jacinto Santos, e seu primeiro signatário, "ousou" criticar o regime e manifestar a ideia de que existia "um descontentamento generalizado" na sociedade cabo-verdiana.
Os 580 fundadores que assinaram de imediato o manifesto, oficializado na Escola do Bairro Brasil, na Cidade da Praia, propunham uma "nova etapa" e um "novo rumo" para a construção de um regime "democrático e pluralista".
Os fundadores exigiram uma revisão constitucional, para permitir a criação de novos partidos, a separação dos poderes legislativo, executivo e judicial, a eleição directa do Presidente da República e a despartidarização das forças Armadas e de Segurança.
Meses depois, o MpD derrotava o PAICV nas urnas, obtendo maioria absoluta, e logo a seguir, nas presidenciais, arrebatava ao PAICV a Presidência da República, com António Mascarenhas Monteiro a derrotar o "histórico" Aristides Pereira.
O ano de 1991 pôs, assim, termo a 15 anos de partido único e dava início a um novo ciclo político da História de Cabo Verde, que se estenderia até 2001, com o MpD a vencer novamente as eleições gerais de 1996, mas a perder as de 2001 e 2006, ganhas pelo PAICV.