Cidade da Praia - O presidente de Cabo Verde homenageou a poetisa são-tomense Alda Neves da Graça do Espírito Santo, falecida terça-feira, considerando que a também combatente pelas independências "ultrapassou as fronteiras do arquipélago" e que é "uma referência" para as novas gerações.
Pedro Pires, num escrito carregado de emoção e intitulado "Homenagem à Alda do Espírito Santo", lembrou a "profunda tristeza" que a notícia da morte da poetisa são-tomense lhe causou, lembrando, ao mesmo tempo, que em 2005 a condecorou com o Primeiro Grau da Ordem Amílcar Cabral, a mais alta distinção de Cabo Verde.
Além da "Homenagem à Alda do Espírito Santo", o presidente cabo-verdiano enviou também outra mensagem ao seu homólogo são-tomense, Fradique de Menezes, manifestando pesar pela morte da poetisa e sua amiga de muitos anos e repetindo, parcialmente, a "homenagem".
"Nacionalista e combatente da luta pela independência nacional são-tomense, a poetisa Alda Graça do Espírito Santo representa também uma perda para Cabo Verde, porque ultrapassou as fronteiras do arquipélago de São Tomé para, muito justamente, fazer parte da história dos países africanos de língua oficial portuguesa", escreveu.
O presidente cabo-verdiano lembrou que a poetisa são-tomense foi sua contemporânea, bem como de Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Mário Pinto de Andrade, Marcelino dos Santos, Francisco José Tenreiro e "de outras figuras do nacionalismo africano", nos tempos da Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa.
"Alda Espírito Santo faz parte de uma geração de homens e mulheres generosos que, com a sua solidariedade, internacionalismo e amizade indefetíveis, deram uma valiosa contribuição para o sucesso da luta para a autodeterminação e independência de Cabo Verde", continuou.
"Assim, é uma referência para as gerações mais jovens e foi merecedora de um justo reconhecimento da nação cabo-verdiana (...) e é com emoção que expresso o reconhecimento de enorme dívida de gratidão", concluiu Pedro Pires na "Homenagem".
Alda Espírito Santo, figura de primeira linha na luta pela independência são-tomense, morreu terça-feira em Luanda, vítima de prolongada doença, aos 83 anos.