Bujumbura - O processo de cassação do antigo homem forte e ex-patrão do partido presidencial burundês, Hussein Radjabu, condenado a 13 anos de prisão por complot contra a segurança do Estado, teve iníciou hoje( terça-feira), em Bujumbura, constatou um jornalista da AFP.
O processo de Radjabu e de quatro co-acusados, Evariste Kagabo, Jean-Marie Haragakiza, Jéremie Nyabenda e Nestor Birori, se encontra em audiência pública junto da câmara de cassação do Tribunal Supremo.
Dois outros co-acusados não foram autorizados a comparecer, por não terem respeitado o prazo fixado pelo tribunal, o que foi contestado pela defesa dos réus.
Após três horas de debate sobre as questões de procedimento, a próxima audiência foi marcada para 16 de Fevereiro de 2010.
Radjabu, detido em Abril de 2007, tinha sido condenado em Abril de 2008 em Bujumbura a 13 anos de prisão por conjura contra a segurança de Estado, em companhia de sete co-acusados.
Ele foi especialemente acusado de ter recrutado os (ex-rebeldes) desmobilizados, talves para perturbar a ordem pública" e tinha sido condenado por "complot contra a segurança do Estado".
Em Maio de 2009, o Tribunal Supremo tinha confiramdo em segunda instância as condenações de Radjabu e dos seus co-acusados.
"Hoje como ontem, nós não temos nenhuma ilusão. Esse poder tem muito medo dele (Radjabu) para que seja libertado", comentou à AFP o seu advogado, Prosper Niyoyankana.
"(...) Estamos a quatro meses das eleições e esse poder sabe que ele não tem nenhuma chance de ganhar, se Hussein Radjabu ser solto", afirmou.
Radjabu, então verdadeiro homem forte do Burundi, tinha sido derrubado em Fevereiro de 2007 da direcção do Conselho Nacional para a Defesa da Democrácia-Forças para a Defesa da Democrácia (CNDD-FDD), no poder desde as eleições gerais de 2005.
O seu derrube tinha provocado uma profunda crise no seio do partido, uma parte dos membros aderiu às fileiras da UPD, pequeno partido pró-Radjabu, que se tornou depois a uma das principais formações da oposição.
As eleições gerais estão previstas para finais de Junho de 2010 no Burundi, país que tenta sair, desde 2006, de 13 anos de guerra civil.
O chefe de Estado cessante, antigo braço direito de Radjabu, Pierre Nkurunzira, será sem dúvida, candidado a sua própria sucessão.