Nairobi- O número de pessoas que precisam de uma ajuda alimentar no Sul-Sudão quadruplicou um pouco mais, passando de cerca de um milhão em 2009 para quatro milhões 300 mil este ano devido aos conflitos e à seca, revelou o Programa Alimentar Mundial (PAM), citado hoje (terça-feira) pela PANA.
"Este aumento do número de pessoas famintas no Sul-Sudão foi constatado justamente antes da época das chuvas, período em que as estradas estão bloqueadas o que torna impossível dar apoio às populações afectadas", declarou o coordenador do PAM para o Sul-Sudão, Leo Van Der Velden.
Num comunicado de imprensa, Velden indica que a sua instituição está a preposicionar 50 mil toneladas de sorgo, de leguminosos e óleo vegetal para alimentar milhões de pessoas que já não terão acesso a ajuda alimentar quando as chuvas começarem a cair.
A agência especializada das Nações Unidas vai igualmente apoiar os programas de merendas escolares à favor de mais de 400 mil alunos e distribuir alimentos a várias dezenas de milhares de famílias afectadas pelos conflitos, de repatriados e refugiados.
O ministro sul-sudanês da Agricultura e Silvicultura, Samson Kwaye, precisou que o Estado de Jonglei possui o número mais elevado de pessoas que precisam de uma ajuda alimentar.
"O conflito interno e as incursões do Exército de Resistência do Senhor (LRA), associados à seca, fizeram com que a metade da população jã não tivesse nada para comer", lamentou.
As necessidades em termos de víveres das pessoas residentes no Sul-Sudão foram identificadas numa avaliação anual, realizada em Novembro último pelo Ministério da Agricultura e Silvicultura, pela Comissão de Socorros e Reintegração do Sul-Sudão e pela
Comissão para o Recenseamento, Estatísticas e Avaliação, em colaboração com o PAM e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
Esta avaliação refere-se a sete dos 10 Estados do Sul- Sudão.
O conflito em 2009 fez dois mil 500 mortos e 350 mil deslocados no Sul-Sudão, enquanto que a seca reduziu consideravelmente as colheitas, obrigando assim o PAM a passar de uma operação de retomada e reconstrução para uma acção mais direccionada de emergência desde Junho de 2009.