Lisboa - A directora-geral da Polícia Judiciária (PJ) guineense Lucinda Barbosa, garantiu hoje,terça-feira, que a sua instituição está "na linha da frente" no combate ao narcotráfico na Guiné-Bissau, considerando operações anteriores da iniciativa do exército como "situações de excepção".
"Somos nós que continuamos a ter a competência de exclusividade na área da investigação criminal e, em particular, no combate o narcotráfico", afirmou Lucinda Barbosa, em entrevista à Agência Lusa em Lisboa.
Comentando situações recentes em que o exército guineense tem vindo a ganhar visibilidade no combate ao narcotráfico, a responsável explicou que são "situações de excepção que acontecem", reiterando que é a PJ que "está na linha da frente" nesse combate.
Lucinda Barbosa, que se encontra em Portugal a convite do director nacional da Polícia Judiciária portuguesa, Almeida Rodrigues, considerou que se têm verificado melhorias na luta contra o tráfico de droga no país, que já não é tão visível como antigamente.
"Acho que é possível dizer que houve uma melhoria. Graças a atuação da PJ o tráfico tem passado a ser mais discreto", afirmou Lucinda Barbosa, ressalvando, no entanto, que "ainda há muito por fazer".
"Infelizmente, os traficantes têm muito mais meios e utilizam métodos cada vez mais complexos para transportar a droga. Isto faz com que precisemos de mais meios, recursos e de mais formação na área da investigação criminal, para que nos possamos adaptar a esta nova realidade", explicou.
A responsável disse que os parceiros internacionais têm ajudado a PJ, mas salientou que são precisos "mais meios" e lamentou que a ajuda disponibilizada chegue "um pouco a conta gotas".
As principais prioridades para mais eficazmente poder combater o narcotráfico no país passam, segundo Lucinda Barbosa, por uma "formação cada vez mais específica em matéria de investigação criminal" e pela "descentralização da PJ por todo o território guineense", uma "tarefa que está em curso".
"Estamos a caminhar para uma formação mais específica para conhecer cada vez mais os métodos e técnicas que os narcotraficantes utilizam", realçou ainda.
Lucinda Barbosa adiantou que ainda "para este ano" existe "um projecto para implementar uma directoria da PJ em Bafatá [leste] e uma inspecção na Ilha de Bubaque", no Arquipélago dos Bijagós, reconhecido pelo Governo como um dos pontos mais frágeis do país no combate ao narcotráfico.
Disse que uma das prioridades que tem e acha que é urgente. "Se dependesse apenas da nossa vontade, essa directoria já estaria a funcionar desde 2008 porque já temos as infra-estruturas e os recursos humanos".
"Em Bafatá só falta a reabilitação das infraestruturas e em Bubaque a construção de edifícios para a PJ, [além] da obtenção de alguns recursos para poder trabalhar", acrescentou.
A responsável da PJ realçou que esta necessidade também se coloca "urgentemente em outras zonas longínquas do país, como no sul continental", mas reconheceu que é preciso "estabelecer prioridades", já que não e fácil garantir todo o financiamento para pôr o projeto em prática.