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08-02-2010 18:40

Rwanda
Detenção de um opositor condenado pelos gacaças por genocídio

 

 

Kigali - Um opositor rwandês, Joseph Ntawangundi, regressado do exílio em Janeiro deste ano, foi detido sábado em Kigali e deve ser transferido hoje, segunda-feira, para a prisão central da cidade, soube-se junto de fontes concordantes.


Ntawangundi é o assistente de Victoire Ingabire Umuhoza, a presidente das Forças Democráticas Unificadas (FDU) e candidata ao escrutínio presidencial de Agosto de 2010.


Ingabire e Ntawangundi regressaram ao seu país em Janeiro de 2010 para fazerem o registo da sua formação política, criada no exílio.


Segundo a Rádio Rwanda, Ntawangundi foi detido na execução de um mandado de um julgamento, iniciado em 2007 pelo Tribunal Gacaca de Ngoma, na província do Leste do país.


Esse tribunal o condenou a 19 anos de prisão efectiva, após ter lhe reconhecido culpado, devido a sua participação no genocídio perpretado contra os tutsis em 1994, indicou a rádio.


"Ele foi detido sábado com base num mandado emitido pelo gacaça, datado de 2007", confirmou à AFP o porta-voz da polícia, Eric Kayiranga.


Num comunicado publicado hoje, segunda-feira, no site da internet do seu partido, a presidente da FDU afirmou que o seu assistente não se encontrava no Rwanda no momento dos factos.


"Durante o genocídio, Ntawangundi seguia, por conta da Confederação Internacional dos Sindicatos Livres, um estágio de formação de dois meses na Suécia. Pouco depois, entrou no Quénia", escreveu ela.
 

"Ele não poderá manifestar-se sobre as leis do crime pretendido", acrescentou Ingabire que se mostrou sempre muito crítico as jurisdições gacaças.


"Joseph Ntawangundi começou a recuparar dos ferimentos que sofreu a 03 de Fevereiro de 2010 quando foi agredido na sede do sector administrativo de Kinyinya", na capital, sublinha o comunicado.


Inspirado nas antigas assembleias, nas quais os sábios da cidade regulavam os diferendos, sentados na relva (gacaça, em língua rwandesa), as juridições gacaças são encarregues de julgar os presumíveis autores do genocídio, a excepção dos "instigadores a nível nacional" que devem ser julgados por tribunais clássicos.






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