Dakar - A Organização Grupo de Crises Internacionais (ICG - sigla em inglês) estimou hoje, sexta-feira, que a Guiné "arrisca-se a mergulhar numa guerra civil que poderá desestabilizar toda a África do Oeste " se não se pôr fim rapidamente o regime militar", noticia a AFP.
"Desde a tomada de poder em Dezembro de 2008, horas após a morte da longa autocracia de Lansana Conté, o exército reforçou progressivamente o seu poder de império", escreveu a ICG, um grupo sedeado em Bruxelas e especializado no estudo de conflitos, num comunicado transmitido à AFP.
"A junta militarizou a administração pública, utiliza os recursos de Estado para pôr em marcha grupos do seu apoio em todo o país e forma milícias étnicas", sublinha.
"Essa situação é particularmente preocupante, porque todo o conflito no seio do exército poderá rapidamente transformar-se numa guerra civil para a Guiné e poderá destabilizar os seus vizinhos, provocando um fluxo de refugiados para o Mali, Senegal, e a Guiné-Bissau", sustentou a ICG.
Acresentando que essa situação poderá potenciar a circulação de armas na Côte d'Ivoire e reactivar os movimentos dos antigos combatentes e de comunidades de refugiados ao longo das fronteiras com a Libéria e a Serra-Leoa", alerta a organização.
A repressão brutal de uma manifestação da oposição a 28 de Setembro de 2009 em Conakry, que fez mais de 150 mortos segundo a ONU, iluminou a " necessidade de colocar em ponto uma estratégia de partida no poder da junta militar a fim de preservar a transição democrática e estabelecer as condições necessárias para a organização de eleições livres e equitativas".