Cartum- Um político do principal partido do Sul do Sudão ameaçou a declaração unilateral da independência se não lhe for permitido realizar um referendo justo sobre a questão, noticiou hoje (quarta-feira) a BBC.
Como parte do acordo de paz, o Sul vai referendar a sua independência em 2011, mas o processo de paz nos últimos tempos tem estado muito tremido.
O Secretário Geral do SPLA ou Movimento para a Libertação do Povo do Sudão, Pagan Amum, acusa o Partido do Congresso Nacional, o partido do governo, de estar a tentar obstruir o referendo.
Falando à BBC, Pagan Amum afirmou que o referendo já estava atrasado um ano e que o povo do sul do Sudão tinha de estar atento.
Qualquer tentativa para negar ao povo do Sul do Sudão o seu direito à auto-determinação irá forçá-lo a declarar unilateralmente a independência.
Ainda segundo Amum, o Partido do Congresso Nacional insiste que 75% dos eleitores do Sul terão de votar a favor da independência para que esta seja implementada.
Mas o SPLA insiste que o referendo deverá ser como qualquer outra consulta popular em que bastam 50% dos votos mais 1 para se ganhar.
Portanto bastará uma maioria simples para ditar o resultado do referendo.
Calcula-se que o Sul votará a favor da independência, o que vai contra os interesses de Cartum.
No Sul do Sudão situam-se muitos dos campos petrolíferos do país e esse factor, para além do orgulho nacional, significam que o norte está empenhado em manter o controlo sobre aquele vasto embora subdesenvolvido território.
A guerra de 22 anos entre o norte maioritariamente muçulmano e o sul cristão e animista, terminada em 2005, provocou cerca de um milhão e meio de mortos.
Ao abrigo do acordo de paz assinado então, o antigo grupo rebelde do SPLM formou um governo de partilha do poder em Cartum com o Partido do Congresso Nacional do presidente Omar al-Bashir.
As eleições gerais no Sudão estão marcadas para 2010, um ano antes do referendo sobre a independência do Sul.