São Tomé - O navio "Príncipe" iniciou hoje a sua primeira ligação comercial entre São Tomé e a Ilha do Príncipe, mas a viagem já deu prejuízo.
O governo são-tomense aprovou uma verba de 450 milhões de Dobras (cerca de 20 mil euros - um euro equivale a 124, 523 kwanzas) para suportar as despesas de manutenção e de funcionamento do navio destinado às ligações inter-ilhas.
A primeira viagem comercial da embarcação levou a bordo apenas 13 passageiros, cerca de um quinto da sua taxa de ocupação. Esta primeira viagem do novo navio já somou prejuízos na exploração da rota.
"Tínhamos previsto que para o navio não ter lucros, mas encontrar-se o equilíbrio, ele devia efectuar cada viagem com pelo menos 50 porcento da taxa de ocupação, tanto na ida como no regresso na classe económica, e 25 porcento na classe VIP, isso dava-nos um lucro zero", disse o director interino da Empresa são-tomense Administração dos Portos (ENAPORT).
"Levando 13 passageiros, deve imaginar quanto dinheiro se está a perder", acrescentou Diogo do Nascimento.
Por cada viagem de ida à ilha do Príncipe e regresso a São Tomé, o navio consome cerca de 2500 euros em gasóleo. E pelas contas do director da ENAPORT "dificilmente a exploração do "Príncipe" será rentável para o Estado".
"Estamos a comprar o combustível subsidiado", diz Diogo Nascimento, sublinhando que, mesmo assim, a população reclama o alto custo dos bilhetes de passagem.
Os bilhetes adquirido em São Tomé custam 83 euros para a classe económica e comprados na ilha do Príncipe custam 52 euros.
"Para nós, que somos naturais da ilha do Príncipe, esse preço é elevado", disse à Lusa João Casimiro.
O navio "Príncipe" foi comprado em Espanha e custou ao Estado são-tomense cerca de um milhão de 200 mil euros, com a principal finalidade de facilitar a ligação entre as duas ilhas a preço mais rentáveis e de acordo com a capacidade financeira das populações.