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10-11-2009 18:41

São Tomé e Príncipe
Ex-Búfalos acusados de tentativa de golpe de Estado conhecem sentença terça-feira

São Tomé - Os 17 membros da Frente Democrática Cristã (FDC), entre os quais Arlécio Costa, antigo elemento do extinto Batalhão Búfalo sul-africano, conhecerão a sentença terça-feira relativa à acusação de tentativa de golpe de Estado.  


 
Julgados no âmbito do processo-crime por actos preparatórios contra a segurança do Estado, rebelião e associação de malfeitores, a 11 de Fevereiro deste ano, os 17 arguidos declararam-se inocentes durante o julgamento, que durou três semanas.  


 
O julgamento começou a 07 de Outubro de 2009, cerca de 10 meses depois da detenção de 42 elementos da FDC, partido sem assento parlamentar, mas 25 foram postos em liberdade em duas fases distintas pelo Tribunal de Primeira Instância são-tomense por falta de provas.  


 
Durante as três semanas de julgamento, o colectivo de três juízes do Tribunal de Primeira Instância, presidido pelo juiz Silva Gomes Cravid, ouviu os 17 arguidos e mais de 45 declarantes e testemunhas.  


 
O principal arguido no processo, Arlécio Costa, um dos co-autores do golpe de Estado de 2003 em São Tomé, liderado pelo major Fernando Pereira (Cóbó), reclamou inocência e acusou o Presidente da República, Fradique de Menezes, de ser o "mentor" da sua prisão e de outros membros do seu partido. 


 
O principal arguido referiu-se às alegadas motivações do que considera ser uma "perseguição" por parte do chefe de Estado, nomeadamente a "disputa" por um terreno de seis hectares, situado na Praia das Conchas (cerca de 17 quilómetros a Norte da capital), perto do local onde Fradique de Menezes está a construir a sua casa de praia.  


 
Arlécio Costa disse, durante o interrogatório, que o Presidente são-tomense "pretendia comprar o empreendimento (terreno) mas o Falcon Group antecipou-se e desbloqueou 50 porcento dos 700 mil dólares a um grupo de portugueses que detinha o direito de
propriedade" do terreno.  


 
Outro motivo, considerou Arlécio Costa, está relacionado com o negócio de exploração de um casino, acusando o Grupo Pestana, que detêm o direito exclusivo de exploração de casinos de jogos, de ter "exercido pressões" sobre o chefe de Estado para inviabilizar o
Falcon Grup de explorar o seu casino.  


 
O Falcon Group, de investidores sul-africanos e britânicos, de que Arlécio Costa era representante em São Tomé e Príncipe, pretende criar um empreendimento turístico denominado Lagoa Azul, na zona norte da ilha de São Tomé, mas a construção, que estava
prevista para Dezembro do ano passado, ainda não arrancou. O projecto previa a criação de três mil postos de trabalho.   


 
O principal arguido disse ter recebido "uma carta ameaçadora" enviada pelo irmão do Presidente da República, João Menezes, sócio do Casino Pestana. 


 
Outro facto que marcou o julgamento foi a confissão de Arlécio Costa de reunir jovens desempregados, dando refeições diárias e impondo "disciplina desportiva e de combate" e de ter na sua posse armas de fogo, sem justificar como as adquiriu.  


 
A leitura da sentença esteve marcada para o último dia 04, mas foi adiada por falta de energia eléctrica. 






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