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17-07-2010 22:22

Mundial2010 (Rescaldo)
Espanha faz história em África e é rainha universal

Luanda – Considerada uma das candidatas ao título, a Espanha quase foi vulgarizada em face da derrota na estreia frente à Suíça (0-1), porém a força de vontade e a classe do seu futebol provaram o que os concorrentes temiam, tendo confirmado o estatuto e assumido a coroa mundial na África do Sul.

 

Gelson Fernandes, aos 52 minutos, foi o responsável da “ira” espanhola na estreia, pois o suíço ditou a derrota da Fúria, no dia 16 de Junho, para o Grupo H. A partir daqui, o futebol toque, que conquistou a Europa dois anos antes do Mundial2010, ganhou espaço e galgou os passos necessários para rever a confiança perdida pelos seus adeptos.

 

Na segunda jornada, tudo foi diferente para a equipa de Vicente del Bosque: David Villa, aos 17 e 50 minutos, resolveu a crise e colocou novamente sob ameaça as potências que se exibiam com goleadas e resultados confortantes, o que assustava o destino dos campeões europeus. Vitória sobre as Honduras por 2-0.

 

No fecho da primeira fase, a Espanha voltou à carga, e desta o triunfo foi de 2-1 sobre o Chile, com golos de Villa e Iniesta, ao passo que Rodrigo Millar apontou o tento de honra. Estava garantida a qualificação e o consequente primeiro salto para a lista dos que corriam para o título.

 

Depois disso, só deu Espanha. Nos oitavos de final tirou do caminho Portugal (1-0), nos quartos Paraguai (1-0) e antes de chegar à final Alemanha (1-0). Numa clara gestão de resultados e uma capacidade extraordinária de controlar o jogo adversário, os espanhóis consolidaram a força mental e resistência física, juntando a beleza do seu toque à coesão defensiva, para derrubar a Holanda, no
último jogo da copa, no Soccer City, e levar o primeiro título mundial na sua história.

 

Por tudo isso, a Fúria foi reconhecida pelos espectadores (internautas) como a melhor selecção, ao colocar seis futebolistas na equipa de sonho da FIFA (Casillas, Sérgio Ramos, Puyol, Xavi, Iniesta e Villa). Enfim, uma missão que se afigurava difícil, devido à turbulência inicial, mas que rapidamente superou jogo a jogo. Primeira final e entrada vitoriosa no clube dos campeões mundiais.

 

(Holanda – Nem sempre a terceira é de vez)

 

A maldição do quase continua na sombra da Holanda. A intenção de acabar com o trauma de outras duas finais perdidas (1974 e 1978) mantém-se adiada, pois na África do Sul a Laranja produziu suco insuficiente para “intoxicar” a Fúria espanhola (0-1) e perdeu mais uma vez, transferindo para 2014, no Brasil, a próxima tentativa de chegar ao título mundial.

 

A campanha holandesa foi 100% proveitosa até às meias-finais. Na fase de grupos superou todos os adversários, consolidou a invencibilidade nas etapas seguintes, mas na parte mais crucial perdeu. Marcou 12 golos e sofreu cinco. Começou, no Grupo E, com triunfos sobre a Dinamarca (2-0), Japão (1-0) e fechou com Camarões (2-1). Seguiram-se nos oitavos, quartos e meias-finais vitórias sobre Eslováquia (2-1), Brasil (2-1) e Uruguai (3-2). Na final, derrota diante da Espanha (0-1).

 

Na Copa, disputada na África do Sul entre 11 de Junho e 11 de Julho, a Holanda, que se destacou já nas eliminatórias com uma série de vitórias, desperdiçou a oportunidade de ouro de entrar no selecto grupo de campeões mundiais (Uruguai, Itália, Brasil, Alemanha, Inglaterra, Argentina, França e Espanha).

 

Apesar do desfecho negativo, a equipa da Holanda chegou à final com o melhor desempenho de sempre, ao superar o “futebol total” da geração de 1970. Nas duas  anteriores finais, a selecção perdeu para a Alemanha, em 1974, e para a Argentina, em 1978.

 

Com jogadores consagrados como Johan Cruyff, Johan Neeskens, Johnny Rep, Rob Rensenbrink e Ruud Krol, fez história tanto nas Copas quanto nas competições europeias de clubes, quando actuavam pelo Ajax. Essa formação lendária não teve desempenho superior a actual revolução, em números, embora aquela década tenha sido melhor em qualidade.

 

Na Alemanha, em 1974, a Holanda venceu cinco partidas (Uruguai: 2-0; Bulgária: 4-1; Argentina: 4-0; Alemanha Oriental: 2-0; Brasil: 2-0) e empatou uma (Suécia: 0-0) e derrota na final (1-2; Alemanha); e na Argentina, apesar de não ter começado tão bem, chegou à final com três vitórias, dois empates e uma derrota.

 

Quatro anos depois, sem Cruyff na equipa, a Holanda bateu na estreia o Irão por 3-0, empatou sem golos com o Peru, e perdeu para a Escócia por 2-3. Mesmo assim, conseguiu classificar-se. Goleou a Áustria (5-1), empatou (2-2) com a Alemanha e venceu a Itália por 2-1. Perdeu no derradeiro desafio diante dos anfitriões (Argentina), por 1-3.

 

(Alemanha “demolidora” falha tetra mas mostra futuro seguro)

 

Uma das mais temíveis selecções, a Alemanha esteve na África do Sul com previsões iniciais a desprezarem a equipa de Joachim Loew, mas ao longo da competição a jovem formação mostrou que em campo era outra coisa e contrariou as projecções de especialistas.

 

Abriu a copa com goleada sobre Austrália (4-0), em Durban, mas perdeu de seguida diante da Séria (0-1), o que baralhou as tendências iniciais do Grupo D, onde fazia parelha com Ghana (1-0), adversário com o qual decidiu o apuramento para os oitavos, o Soccer City, em Joanesburgo.

 

A verdadeira máquina demolidora despachou selecções poderosas e fortes candidatas ao ceptro. Nos oitavos, a primeira vítima foi a Inglaterra (4-1) e a seguir a Argentina de Messi e Maradona (4-0).

 

Desde os sucessivos resultados com estas duas nações de futebol e tradição, todos apontavam a Alemanha, já que o Brasil, Itália e França estavam fora, como a principal favorita, até mesmo diante da Espanha.

 

Mas nas meias-finais, a Alemanha foi eliminada pela Fúria (0-1) e na partida de consolação 3-2 sobre o Uruguai, que afastara o único representante até então vivo no evento (Ghana).

 

Os germânicos terminaram em terceiro, embora desejassem mais, como se explica pela atitude dos jogadores no regresso discreto após a copa em Frankfurt, quando pediram desculpas oficialmente aos adeptos por impedirem uma maior comemoração pela classificação obtida.

 

Com Muller (20) e Ozil (21 anos), a juventude alemã perspectiva desforra em 2014, no Brasil, já que até lá os jogadores terão mais maturidade para ombrear com outras potências mundiais. Deste modo, o sonho do tetra transfere-se para a próxima copa. A Alemanha conquistou as edições de 1954, 1974 e 1990.

 

(Uruguai aumenta expectativa para 2014 no Brasil)

 

Apesar de ter perdido o terceiro lugar para Alemanha (2-3) no Mundial2010, disputado na África do Sul, entre 11 de Junho e 11 deste mês, a selecção do Uruguai tem motivos para festejar, depois de 60 anos sem chegar tão longe como foi neste ano.Duas vezes campeões mundiais (1930 e 1950), os uruguaios começaram o projecto africano no Grupo A com empate (0-0) frente à França, no Estádio Green Point, na Cidade do Cabo, tendo frustrado a intenção sul-africana na segunda jornada (3-0), em Pretória, e confirmado a liderança da série preliminar na despedida, em Rustenburg, diante do México (1-0).

 

Liderada no ataque por Diego Forlan, considerado o melhor futebolista da copa pela FIFA, em substituição do francês Zidane (2006), a equipa Celeste avançou para os oitavos de final e bateu a Coreia do Sul, por 2-1, em Port Elizabeth, antes do jogo dramático diante do Ghana nos quartos de final frente ao Ghana.

 

A sexta-feira, 2 de Julho, fica registada por ter sido o dia em que as Estrelas Negras, do Ghana, deixaram escapar o passe para as meias-finais no último minuto do prolongamento diante dos sul-americanos (2-4), depois empate a um golo no tempo regulamentar. Suarez impediu com a mão o golo ghanense, mas Gyan, chamado a cobrar, chutou para a barra. Nos penaltes, a "sorte" sorriu para Uruguai.


   
Nas meias-finais, o Uruguai perdeu para a Holanda (2-3) e foi relegado à disputa das classificativas ao terceiro lugar diante da Alemanha (2-3). Foi a primeira repetição de um desafio na luta pela terceira posição. Uruguaios e alemães defrontaram-se em 1970, com vitória (1-0) para os alemães.

 

Com o fôlego demonstrado em África, os uruguaios foram recebidos no seu país como heróis, mas a necessidade de fazer melhor em 2014 aumentou a pressão dos companheiros de Diego Forlan, já a meta é sempre superar a classificação anterior.

 






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