Luanda – Principal candidato à conquista do Mundial 2010, pelo palmarés e tradição na maior prova da FIFA, o Brasil "desfilou" na África do Sul com um dos mais respeitáveis planteis, mas viu-se incapaz de superar a Holanda, falhando o sonho do hexa.
O "Escrete Canarinho", um dos dois países lusófonos em prova na primeira Copa de "selo" africano, perdeu para a "Laranja Mecânica" nos quartos-de-final, por 1-2, adiando para 2014 o objectivo de uma formação criativa, que voltou a fracassar, à semelhança de 2006.
Treinado pelo campeão do Mundo em 1994 Dunga, o Brasil chegou desacreditado à África do Sul, mas conseguiu impor-se com alguma facilidade na fase de grupos, diante da Coreia do Norte, Cote d’Ivoire e Portugal, diante dos quais desfilou um futebol prático e objectivo.
Com Kaká limitado e Robinho em busca da melhor forma desportiva, a selecção totalista dos Mundiais (19 participações) contou com o poder de finalização de Luís Fabiano e a solidez defensiva de Júlio Cesar, Lúcio, Juan, Maicon e Michel Bastos.
Entretanto, a trajectoria que parecia irrepreensível viria a ser contrariada pela ressurgida Holanda, de Roben e Sneijder, que acabou com o sonho de um adversário temível, criativo e super ofensivo, porém incapaz de suportar a pressão do título.
Os brasileiros ainda chegaram a passear classe nos oitavos de final, diante do Chile, sem, contudo, manterem a mesma dinâmica, concentração e rigor defensivo, num jogo de "vida ou morte" em que lhes faltou, pela primeira vez, lucidez e poder de explosão no ataque.
(Sem líder em campo, Portugal piora classificação) Apontada como uma das prováveis surpresas do Mundial2010, a selecção portuguesa viu-se "privada" do talento da sua maior estrela na África do Sul e, sem líderes em campo, caiu seis lugares na classificação, em relação à prova de 2006.
Com Cristiano Ronaldo e Deco em clara baixa de forma, a formação das "Quinas" levou ao torneio da FIFA um grupo compacto e esperançado na veia goleadora do nacionalizado Liedson, mas foi incapaz de transpor os oitavos-de-final, em que perdeu para a Espanha.
Portugal, que fez na África do Sul a sua quinta participação (esteve na prova em 1966, 1986, 2002, 2006 e 2010), somou na África do Sul uma vitória, dois empates e uma derrota, diante de um oponente que veio ser coroado, pela primeira vez na história, campeão do Mundo.
O segundo representante lusófono, a par do Brasil, chegou com grandes expectativas à prova africana, mas pagou caro pelo mau momento de forma das suas melhores unidades e pela má gestão de balneário do técnico Carlos Queiroz, ficando num modesto 11º lugar.
No Mundial2010, Portugal obteve a maior goleada (7-0) diante da Coreia do Norte, mas somou apenas uma vitória e, curiosamente, ficou sem balançar as redes em três, dos quatro jogos efectuados.
A campanha da formação de Cristiano Ronaldo, que ficou privada de Nani (lesionado), foi interrompida por uma brilhante e bem organizada Espanha, liderada por um grupo de jovens talentosos, entre os quais Xave Hernandez, Xabi Alonzo, David Villa e Iniesta.
A desqualificação nos oitavos de finais marcou a despedida inglória para algumas
das unidades de maior referência da selecção europeia, como Deco, Simão Sabrosa e Ricardo Carvalho, que terão poucas hipóteses de erguer em 2014 o título perseguido desde 1966.
Eles fizeram parte, juntamente com Luís Figo e Pedro Pauleta, da geração que quase deu a Portugal o primeiro título Mundial, há quatro anos, na Alemanha, onde ocuparam o quatro lugar.