Joanesburgo (Dos enviados especiais) – O continente africano começou a participar em copas do mundo em futebol muito depois de outros continentes e por isto necessita de mais tempo para se impor, disse hoje, em Joanesburgo, o jornalista brasileiro Albano Lima.
Balanceando o mundial2010 terminado domingo na África do Sul, Albano Lima considerou que embora se fala há muito que o futuro do futebol está em África, desde a célebre participação dos Camarões em 1990, na Itália, ainda não se tem registado grandes participações dos africanos nas copas do mundo.
Referiu as prestações da Nigéria, Côte d'Ivoire, Senegal e Ghana, afirmando que a cada instante se encontra uma justificação para a participação menos conseguida dos africanos nestas provas.
“Primeiro dizia-se que existia técnica, mas não estrutura, e foram contratados técnicos experientes de várias partes do mundo e depois que os governos não investiam, isto já é feito, a seguir dizia-se que não possuem experiência, hoje selecções como a Côte d'Ivoire, todos jogam no exterior, mas ainda assim os resultados continuam a não aparecer”, disse.
Na sua opinião, é necessário mais tempo ao futebol africano porque começou tarde em relação a outros continentes.
Para Albano Lima, no actual mundo globalizado as exigências às selecções são equiparadas, independentemente da experiência em termos de presenças em mundiais.
Referiu que o futebol africano deve continuar a crescer, mas que os amantes do futebol têm que se consciencializar que a evolução é paulatina, apesar de ter uma ou outra a surpreender, como por exemplo o Ghana que nesta edição atingiu os quartos-de-final.
O jornalista, que cobriu pela segunda vez uma copa do mundo, justifica a sua afirmação relativa à falta de experiência dos africanos com a eliminação prematura de cinco das seis representantes africanas do mundial (Camarões, Nigéria, Côte d'Ivoire, África do Sul e Argélia).
Indicou que o Ghana desperdiçou uma grande oportunidade de fazer história como a única africana a alcançar às meias-finais de uma copa, mas não pode carregar a responsabilidade pelo facto de o continente não ter sido melhor representado.
“O Ghana tem responsabilidade sim, mas apenas a dele, e não de carregar o peso do continente porque selecções com maior experiência e com jogadores a evoluírem em campeonatos da Europa e América tinham o dever da fazer melhor”, frisou.