Luanda - O Campeonato do Mundo de futebol decorrerá de 11 de Junho a 11 de Julho na África do Sul, pela primeira vez no continente berço. No entanto, como nas edições anteriores, nem todos vão poder ver desfilar os seus ídolos.
Alguns ficaram de fora por falharem a qualificação, outros por lesão, mas a maioria por opção técnica.
Opções que, apesar de muito duvidosas em alguns casos, pertencem aos treinadores que são soberanos nas suas escolhas. Na verdade, levam para a competição os 23 futebolistas que mais lhes dão garantias para uma boa campanha.
Deste modo, Ronaldinho Gaúcho (Brasil), Alexandre Pato (Brasil), Zanetti (Argentina), Benzema (França) e Theo Walcott (Inglaterra) não têm qualidades suficientes para disputar o Mundial, de acordo com as opções de Dunga, para os dois primeiros, Maradona, Raymond Domenech e Fábio Capello, respectivamente.
Dentre os tantos casos, a ausência de Ronaldinho, duas vezes eleito melhor jogador do mundo, é a que mais impacto causou ao mundo futebolístico, tendo merecido críticas por todos os cantos do planeta desde políticos a desportistas.
O jogador de 30 anos de idade, a actuar no AC Milan de Itália, é a principal baixa desta competição. Os dribles, passes, golos, acompanhados de um sorriso são as características do futebolista apelidado de "showman" e que iniciou a sua carreira no Grêmio de Porto Alegre (Brasil).
Campeão do mundo em 2002 pela selecção "canarinha", Gaúcho é dos jogadores mais habilidosos de todos os tempos. A sua forma de jogar encanta qualquer adepto até aquele que não entende nada de futebol. Infelizmente não poderá desfilar o seu futebol vistoso na África do Sul.
No caso de Ronaldinho, que já passou pelo PSG (França), Barcelona (Espanha), a FIFA deveria abrir uma excepção e permitir que fosse convocado para uma outra selecção, como escreveu um jornalista brasileiro. Se fosse possível, o mais difícil seria encontrar países desinteressados.
Na verdade, competições como Mundial os melhores jogadores têm que estar sempre presentes, caso contrário pode retirar o "brilho" a até mesmo afastar alguns adeptos, como disse Danny Jordan, do comité organizador da prova.
Na lista dos preteridos por opção técnica destacam-se ainda Neymar e Adriano (Brasil), Totti (Itália) e Nasri (França). Outros, sem o mesmo protagonismo que os anteriores nem rótulo de craque, são Bakary Koné (Cote d'Ivoire), Moutinho (Portugal) e Cambiasso (Argentina) que eram quase certos nas suas selecções.
A lista de ausentes é tão longa que seria possível formar uma equipa para disputar o Mundial e, pelo nível dos jogadores preteridos, discutir o título. Se José Mourinho, no Inter de Milão, conseguiu criar um grupo forte com vários futebolistas dispensados dos seus clubes outro treinador poderia formar um conjunto com os jogadores afastados das suas selecções.
Por outro lado, entre os afastados, desta vez por lesão, destacam-se Michel Ballack (Alemanha), Michel Essien (Ghana), dois líderes das suas respectivas selecções, titulares indiscutíveis e capitães, além de David Beckam, Rio Ferdinand (Inglaterra) e Van Nistelroy (Holanda), Nani (Portugal). Há ainda craques que vão para a prova limitados fisicamente e alguns poderão ser confirmados como baixa.
(Por Nelson Pascoal)