Luanda - Na recém terminada 27ª edição da Taça de África das Nações, a comunicação social angolana conseguiu comprometer a população com o torneiro, não obstante os “normais” obstáculos decorrentes em eventos desse calibre.
Em teoria de jornalismo sabe-se que os media lançam à sociedade o assunto do dia e, mais exactamente, o modo de pensar tal assunto. É a teoria do agendamento.
Por parte da média, foi um desafio à medida de Angola, se termos em comparação as outras tarefas difíceis que o país vai, pouco a pouco, buscando soluções.
A realização de um acontecimento mediático como o CAN2010, requer dos jornalistas uma atitude temerária e uma preparação profissional adequada. Embora não se tem ainda grande número de técnicos superiores em comunicação social, o que é desejável, a média soube prestar um serviço público aceitável à população.
Se se fazer um breve “flash back”, notar-se-á que num tempo recente outros desafios de não menos importância, como os casos da cobertura das eleições em 2008 e também a vinda a Angola de Sua Santidade Papa Bento XVI, em 2009, neste particular a imprensa luandense mostrou já a capacidade de actuação, em grande escala, da comunicação social.
No CAN de Angola, além do envolvimento dos “opinion maker’s” internos, a praça nacional contou também com o auxílio de jornalistas vindos de Portugal.
São os casos de Rui Almeida e Carlos Dolbeth. O primeiro esteve a colaborar na Luanda Antena Comercial (LAC), na condição de relator, para reforçar o “maduro” painel de jornalistas e comentadores desportivos da estação radiofónica do Maculuso. Nesta estação formou-se uma equipa que, como se diz no mundo do desporto, qualquer “treinador” gostaria de ter.
O segundo, Carlos Dolbeth, da Rádio Clube de Portugal, esteve a relatar pela Rádio Mais, estação filial do Grupo Média Nova.
Com vista a uma melhor cobertura da Taça de África das Nações, a maior parte dos órgãos criou páginas especiais (ou espaços, casos de rádios e televisões) para um acompanhamento mais pormenorizado da competição.
Acerca do desempenho da imprensa nacional Gerárd Dreyfus, um jornalista francês com mais de 40 anos de experiência, que esteve a assessorar o presidente da CAF, Issa Hayatou, qualificou de extraordinário e formidável num encontro com os profissionais que cobriam o CAN2010, no Centro de Formação de Jornalistas (Cefojor).
O comité organizador da prova (COCAN), desde as suas quarta-feiras de imprensa, antes da competição, até o acompanhamento dos jornalistas no evento, foi fundamental para o trabalho da média nacional e não só.
Na vertente ético-deontológico, notou-se um esforço dos profissionais em cumprir com os pressupostos do jornalismo para se buscar a desejada objectividade.
Contudo, a emoção e tomada de posição pareceram estar claros em alguns jogos, o que não é novidade quando se fala de desporto.
Fez-se um trabalho aceitável, mas ainda pode-se fazer melhor se se apostar mais na formação.
Por José Raimundo