Luanda - Na segunda vez que a prova vem para a Região Austral, as selecções desta região do continente fez as honras da casa e brindaram os aficcionados com futebol competitivo, alegre e espectacular também.
Na ausência da única formação da região que já conquistou o troféu da taça das nações em futebol (África do Sul), a Zâmbia, que já foi vice-campeã em duas ocasiões, liderou o grupo A par de Angola.
A turma do "capitão" Catongo provocou surpresa geral ao terminar em 1º lugar num grupo onde os favoritos eram Camarões e Tunísia. A jogar no Lubango, estádio da Tundavala, os zambianos puderam contar com o apoio pela proximidade geográfica, por o seu país fazer fronteira com Angola a leste.
Mas foi fundamentalmente pela sua prestação em campo que se notabilizaram. Na estreia com a Tunísia (1-1) ficou na retina dos aficcionados o futebol de qualidade que tinham a oferecer.
Depois, foi só a subir: contra os Camarões, quando tudo indicava uma goleada, foi a primeira a marcar, depois de os Leões Indomáveis terem dado a volta ao marcador 1-2, ainda foram capazes de empatar a 10 minutos do fim. Mas acabaram perdendo por 2-3, contudo, caindo de pé, face a réplica dada ao então vice-campeão africano.
À entrada da última jornada, era a última classificada e com chances remotas de qualificação pois somava apenas um ponto e defrontaria o líder do Gabão com quatro e que precisava apenas de um ponto para se qualificar.
Foi um jogo igual aos outros, com domínio da partida e com a particularidade de terminar com a vitória (2-1) que precisava para passar aos quartos-de-final. Ou seja, juntou desta vez ao espectáculo e qualidade futebolística a vitória.
Assim, a Zâmbia passaria de último e quase eliminado, para qualificado e líder do grupo, seguido pelos camaroneses e gaboneses em terceiro. Apesar de terem as três quatro pontos, o sistema de desempate foi favorável aos vizinhos de Angola.
Nos quartos-de-final, na sua mais espectacular exibição durante a prova, foram infelizes no desempate por penalties, depois de terem dominado completamente a poderosa Nigéria, duas vezes campeã de África.
Assim, a Zâmbia regressou a casa após os quartos-de-final, mas foi por unanimidade apontada como superior a Nigéria e uma das melhores selecções que futebol apresentou no CAN2010. Em termos históricos, registou também uma evolução, visto que em 2008, com dois papões no grupo, que por sinal viriam a ser os finalistas (Egipto e Camarões), conseguiu um empate (1-1) com egípcios tendo tido um desaire (1-5) anormal com camarões, e depois vencido convincentemente o Sudão por 3-0.
Já no Ghana esta selecção havia deixado o aviso do seu crescimento o que foi hoje confirmado, já que não chegou às meias-finais por manifesta falta de sorte, porque futebol para tal demonstrou.
De resto, este percurso exibicional assemelha-se ao dos anfitriões, que apenas caíram para o Ghana nos quartos-de-final, depois de exibições que sempre se superiorizaram aos adversários, mas a falta clara de sorte e a onda de lesões impediram os Palancas Negras de irem além do que já tinham feito na edição precedente.
Contudo, estás duas selecções deixaram sério aviso para dentro de dois anos no Gabão, caso continuem a trabalhar como até agora.
O Malawi também foi muito elogiado. Aliás, se houvesse um ranking do futebol mais elogiado, a Região Austral venceria porque do grupo de cinco selecções que melhor se exibiram e mais agradarem os adeptos, estarão pelo menos três desta zona do continente.
Enquadrado no grupo de Angola, causou a primeira grande surpresa do campeonato ao vencer claramente a Argélia por 3-0. Este resultado chamou a atenção ao mundo do futebol para a qualidade futebolística do grupo.
As jornadas seguidas foram-lhe adversas primeiro porque cruzou com o anfitrião, que também tinha um futebol muito competitivo, e com 50 mil adeptos a apoiarem. Depois, na última ronda, um momento de desconcentração nos primeiros minutos do encontro com o Mali (que precisava de golos) decidiu a sua história no CAN2010.
Nesta derradeira partida jogada no estádio do Chiazi em Cabinda, enquanto Angola e Argélia actuavam no 11 de Novembro, com as quatro selecções ainda com possibilidades, os malawis sofreram o primeiro golo antes do primeiro minuto e o segundo aos três.
Isso ditou o desfecho (1-3) do jogo e a eliminação. Mas nesta segunda presença a este nível, depois de ter estado em 1984, onde conseguiu apenas um ponto de empate com a Nigéria, o Malawi também deixou um recado sério e sobretudo angariou simpatias de todos os quadrantes devido ao seu futebol.
Por fim, o país que mais se sentiria em casa - Moçambique -, pelas afinidades geográficas e sobretudo linguísticas. Os "Mambas" conseguiram a sua quarta presença em fases finais graças a uma prestação excepcional num grupo onde estiveram também Tunísia e Nigéria. A motivação era tal para jogar o primeiro CAN lusófono e conseguiram-no.
Porém, um azar, contingência de quem está em campo, acabou por fazer dois auto-golos que afectaram sobremaneira a sua prestação. A primeira partida foi com o adversário mais acessível, mas aos 20 minutos já perdia com o Benin por 0-2, com um auto-golo.
Mesmo assim, a tenacidade dos Mambas levou-os a recuperarem de assim angariarem o seu primeiro e único ponto da prova (2-2).
Seguiram-se derrotas com Egipto (2-0) e mais um auto-golo, depois de ter resistido ao poderio dos Faraós nos primeiros 45 minutos. E na última jornada, foi incapaz de repetir frente a Nigéria a prestação da fase de apuramento e perdeu pela margem mais alargada do grupo (0-3).
No geral, a Região Austral esteve muito bem representada no CAN caseiro, e decerto constará nos blocos de nota dos experts para os próximos compromissos da CAF. Além de deixarem registos exibicionais de realce e dois quartos-de-final, as selecções desta parte do continente incluíram também dois jogadores seus (os angolanos Flávio e Mabiná) na selecção dos melhores jogadores da 27ª edição da taça de Africa das Nações disputada nas cidades de Luanda, Cabinda, Benguela e Lubango.