Luanda – A Taça de África das Nações Orange Angola 2010, encerrada neste domingo, repercutiu positivamente em sectores importantes da política de Estado, particularmente no desporto, nas obras públicas, hotelaria e turismo, telecomunicações e cultura.
Como qualquer evento de tamanha magnitude, a prova continental trouxe ganhos visíveis para outras áreas da vida administrativa do país, tendo propiciado, em 21 dias de competição, o intercâmbio entre povos, línguas e culturas típicas de quase todos os continentes.
Em Angola, estiveram “misturados” traços da cultura africana, europeia, asiática e americana, que fizeram do país a “capital do futebol”, com valores culturais múltiplos, pondo à nu a realidade estética, histórica e antropológica de várias sociedades.
O plano cultural gizado no âmbito do CAN2010, vencido pelo Egipto (tricampeão consecutivo), pouco incidiu na componente infra-estrutural, como construção de novas salas de espectáculos, mas permitiu a transmissão fiel da realidade sócio-cultural do país.
A cerimónia de abertura, marcada pelo “electrizante” jogo entre Angola e o Mali (4-4), ultrapassou as expectativas dos analistas estrangeiros, que viram reproduzir-se a mensagem de construção dinâmica de um Estado em progressão e rico culturalmente.
A realização do torneio permitiu projectar a imagem de figuras representativas da cultura tradicional bantu, dando a ver a milhares de telespectadores o percurso histórico de Angola, realçando a presença espiritual dos antepassados e chegada dos primeiros povos.
Com as cerimónias de abertura e encerramento, tornou-se possível mostrar a dinâmica de organização social e política desse território africano, lembrando a trajectória dos ancestrais, a chegada dos europeus, o tráfico de escravos e a luta de libertação nacional.
Esse plano cultural permitiu igualmente reproduzir imagens da paz que promoveu o desenvolvimento acelerado da economia, salientando, com um profundo valor estético, os recursos hídricos e agrícolas, além da reconstrução nacional e o fomento do desporto.
Esse exercício valorizou o trabalho de milhares de profissionais do teatro, da dança, das artes plásticas e até do exército, que fizeram do CAN, orientados por três experientes coreógrafos nacionais, uma porta aberta para promover ao mundo a sua cultura genuína africana.
Por: Eliás Tumba