Luanda - Está sob os carris, em todo o país, o comboio do debate constitucional marcado pela maturidade política, interesse e seriedade, numa clara demonstração do peso da responsabilidade perante tamanho desafio nesta marcha que se pretende a dimensão de Angola.
Todos os que decidiram ser passageiros deste comboio especial levam como bagagem três projectos constitucionais e procedem a uma leitura atenta para, posteriormente, apresentar as suas contribuições e, como é óbvio, reservar o momento para a escolha daquele que convenciona ser o melhor para Angola.
O debate constitucional continua a polarizar a atenção dos cidadãos, pois, é um momento ímpar de reflexão e discussão sobre o futuro de todos nós. Um futuro em que os mais atentos vislumbram um novo horizonte onde se desenhe, efectivamente, o paradigma do consenso, da reafirmação da angolanidade, do reforço da unidade nacional e uma forte alavanca rumo ao desenvolvimento e bem-estar dos homens e mulheres deste país.
Todos os que querem ser cidadãos de um país onde reine uma constituição digna, clara e que possa salvaguardar todas as conquistas até agora obtidas, estão a usar os meios ao seu alcance para serem partícipes neste processo pleno em que
se reavivam os ânimos e as vontades de não perder a carruagem da democracia.
Uns preferem levar directamente os seus subsídios à Comissão Constitucional enquanto outros fazem recurso às novas tecnologias e encaminham para este órgão via on-line. Neste momento o que não é aconselhável mesmo é remeter-se ao silêncio quando se tem em mãos a grande oportunidade de participar naquilo que será um marco fundamental para o reforço da democracia e da estabilidade
política e institucional do país.
Mesmo envolvidos nos preparativos do maior evento desportivo que o país vai albergar, é notório o engajamento nas discussões do processo constituinte onde se evidencia a aceitação e participação dos angolanos.
Conscientes de que até o primeiro trimestre de 2010 a constituição deverá estar concluída, os angolanos não se poupam a esforços e fazem ouvir a sua voz nos debates que se realizam, esgrimindo os seus argumentos sobre o projecto que melhor responde os seus anseios e se adeque a realidade do país.
Pertence a todos, sobretudo os que ainda meninos ouviam falar de democracia e sonhavam em contribuir com as suas ideias para o bem de Angola e dos angolanos.
É este o momento decisivo de ocupar um lugar no comboio constitucional e dizer o que é melhor para Angola. Como diria o sacerdote em pleno enlace matrimonial “Falem agora ou calem-se para sempre”.
Muitas filhas e filhos de Angola, que lutaram pela conquista da liberdade e independência, não tiveram esta oportunidade soberana. Hoje, em cada província, município, comuna ou bairro se lança um apelo a todos para apresentarem as suas contribuições.
Numa rápida espreitadela ao comboio algo chama atenção. Muitas mulheres. Já lá foram os tempos em que elas eram somente objecto. Hoje, são sujeito activo nos debates e como geradoras da vida pretendem uma constituição que reforce o papel da família, salvaguarde as novas gerações e as conquistas até agora alcançadas.
Projectar uma constituição que promova o progresso, a estabilidade política, económica, social e cultural, de modo a que todos os angolanos possam participar no desenvolvimento do país beneficiando dos mesmos direitos e oportunidades é o caminho que cada angolano almeja.
Nesta caminhada, que é de todos e onde se pretende consolidar a democracia, não deve haver silêncios, medos e muito menos políticas de cadeira vazia onde se evidenciem compromissos com as rupturas.
O desafio actual é construirmos uma constituição que nos dignifique a todos, desde logo, ninguém deve perder a viagem do comboio constitucional.
Luísa Damião