Por Venceslau Mateus
Luanda - O parque cinematográfico de Luanda espera por uma intervenção urgente para voltar a ocupar-se da sua função social que é exibir filmes e proporcionar aos amantes da sétima arte momentos de lazer.
Derrubados, como é o caso do Cine Ngola, encerrados ou transformados em salas de cultos, os cinemas deixaram de fazer parte da lista de locais de ocupação dos tempos livres dos habitantes da capital angolana, principalmente da juventude.
Orgulho da camada jovem até ao inicio da década de 90, onde referências como o São Paulo, 1º de Maio, Nacional, Ngola, Karl Marx, Atlântico, Corimba, Tivoli, Miramar e África recebiam, todas as noites, centenas de espectadores ávidos em ver um bom filme de acção ou uma comédia, nos dias que correm as salas de exibição de Luanda tornaram-se em autênticos "monstros" adormecidos.
Para quem ainda teve a oportunidade de passar bons tempos numa sala de cinema, hoje ficou a recordação para contar às futuras gerações a agradável sensação de ver as suas principais estrelas da sétima arte num ecrã gigante.
Da história de muitos deles, estão apenas as quatro paredes que dão a indicação de que era ou é uma sala de cinema. Com fissuras nas suas paredes, uns, e outros sem tecto, sistema de som, cadeiras e as competentes máquinas de projecção, a maioria destas salas vão dando o ar da sua graça albergando espectáculos musicais, missas ou sessões de teatro, deixando para trás a sua principal vocação: exibir filmes.
Num total de 13 salas de cinema que existiam até ao início da década de 90, hoje apenas duas delas proporcionam aos jovens a agradável sensação de ver um filme fora de casa. Aqui, a excepção vai para o Atlântico e Corimba, totalmente reabilitados e apetrechados, que vão dando aos jovens, crianças e as vezes a adultos o prazer de perder algumas horas longe do barulho de casa e de reviver os velhos tempos.
A estes junta-se o moderníssimo e novo CinePlace do Belas Shoping, local frequentado por vários cidadãos.
Perante este quadro a maioria da população prefere ver filmes em casa, através de uma sessão de DVD ou então, para os que têm parabólicas, sintonizar os canais adequados, e na companhia da família assistir a uma sessão proporcionada por estrelas como Silvestre Stalone, Brad Pitt, Júlia Roberts, Bruce Wills, Tom Cruise, Angeline Jolie, entre outros.
Sair de casa para ir ao cinema é um ritual que deixou de fazer parte hoje do dia-a-dia dos luandenses, isto porque grande parte das salas desapareceram ou já não exercem o seu principal objecto.
Apostado em oferecer outra imagem a cidade e recuperar o que ficou da história, o Estado, principal impulsionador do sector até ao fim da primeira república, através da Empresa de Distribuição de Cinema (Edecine), empresa titulada pelo Ministério da Cultura, esboça planos de contingência para recuperar as salas e voltar a colocá-las de novo na rota dos amantes do bom cinema.
Para a concretização do seu plano, o Estado, que tem sob sua responsabilidade os Alfas (duas salas), Tropical, Nacional, Cazenga, Tivoli, África Cine, Atlântico, Corimba e São Paulo, vai solicitando a cooperação da sociedade civil que através do sector privado pode dar o seu contributo nesta tarefa.
Em causa está a recuperação das salas e o seu consequente apetrechamento, bem como revitalizar o sistema de distribuição, um componente importante para que todo o sistema funcione.
Proporcionar outra imagem ao sector, incluindo a revitalização do circuito de distribuição é, por agora, a grande preocupação da direcção liderada por Lourenço Roque, personalidade eleita pelo Ministério da Cultura para dar corpo ao projecto delineado e programas estabelecidos.
O cumprimento desta missão, é possível desde que haja boa vontade de todos e principalmente uma aposta forte e séria do sector privado que já deu mostras de estar interessado na recuperação das salas de cinema e voltar a devolve-los outra vez ao público.
Uma parceria público/privada pode ser a solução ideal para se voltar a contar com sessões diárias de cinema, sendo, por isso, missão essencial a procura de quem esteja interessado em investir no sector cinematográfico.
Ao Governo, através do Ministério da Cultura, cabe a missão de conseguir parceiros sérios a fim de evitar que os referidos locais sejam entregues a pessoas pouco sérias e que em nada contribuam para a concretização dos projectos traçados.
Ao público só resta esperar que as coisas mudem e que o cenário volte a ser outro. A esperança é que os programas passem da teoria a acção prática e sejam executados o mais breve possível.