Luanda, 10/11 - Quando a 11 de Novembro de 1975, no então largo primeiro de Maio, em Luanda, o presidente Agostinho Neto proclamava "perante a África e o Mundo a independência de Angola", ninguém ousava vaticinar o desfecho do sinuoso, mas vitorioso caminho que conduziria os angolanos aos actuais dias de paz.
Foi com sacrifício, até o da própria vida, que os angolanos souberam, a cada contexto, em cada etapa, ultrapassar barreiras, vencer as ingerências externas e não regatear perante os fracassos. Antes pelo contrário, unidos souberam vencer todos os desafios com que se confrontaram.
A ex-colónia portuguesa, dava lugar a então República Popular de Angola, cujas metamorfoses, próprias do amadurecimento e das circunstâncias de luta, nos vários contextos, deram lugar a presente República de Angola.
De escravos e prisioneiros na sua própria terra, a honra e a dignidade foram devolvidas aos angolanos num percurso pelo qual já os seus antepassados Ngola Kiluanje, Rainha Njinga, Ekuikui, Mandumbe e tantos outros, se bateram valorosa e corajosamente.
Trinta e dois anos depois da data que quebrou as grilhetas do colonialismo, eis aqui um país a erguer-se de uma guerra fratricida, injustificada, porque alimentada por interesses externos, mas que, em boa hora, os angolanos foram capazes de “despertar” e enxergar, tarde, mas antes isso que nunca, e dar uma exemplar lição ao Mundo inteiro: conseguir por si a paz tão ansiada e indispensável ao crescimento de qualquer país.
E, os factos hoje falam por si. É um país de referência, que em tão pouco tempo de paz (cinco anos desde a assinatura dos entendimentos de Lusaka) atingiu um crescimento económico considerado um dos maiores de África.
Neste período, o país conseguiu a estabilidade macroeconómica, onde os indicadores como a taxa de câmbio e a inflação estão controlados e o crescimento económico atingiu níveis acima da média em África (5,5 porcento).
A par deste louro, outro aspecto destacável é, sem dúvidas, as grandes realizações no domínio da reconstrução nacional. O país tornou-se, verdadeiramente, “num canteiro de obras”. Estradas, pontes, imóveis, escolas, hospitais, estão a ser reabilitadas e erguidas um pouco por todo o território nacional.
Dos escombros que se tornara, ainda há bem pouco tempo, Angola está, a passos firmes, a transformar-se num dos pilares de desenvolvimento no continente “negro” e o “gigante adormecido” dará o ar da sua graça e será, seguramente, o orgulho de todos os seus filhos.
Após um período de quase estagnação, o sector da educação deu, nos últimos cinco anos, passos significativos com a expansão da rede escolar a todos os níveis de ensino (básico, médio e universitário), implementação do Sistema de Reforma Educativa, cujo objectivo é a melhoria da qualidade do ensino e adequação dos programas e áreas de formação às reais necessidades do país.
A expansão da rede escolar permitiu a inserção de mais alunos no sistema, em especial no interior do país, onde algumas províncias não dispunham de institutos médios ou pólos universitários.
Além da edificação de novas estruturas e reabilitação das já existentes, há a preocupação de dotá-las de equipamentos que permitam a junção dos conhecimentos teóricos e práticos, bem como colocar no mercado quadros capazes de ajudar no processo de reconstrução.
Quadro idêntico caracteriza o sector da saúde que viu crescer o número de hospitais, centros sanitários na periferia, resultando na maior oferta de cuidados primários e o aumento da qualidade dos serviços.
Para atingir a melhoria dos serviços, o Ministério da Saúde tem estado a implementar um programa de formação de quadros (médicos, enfermeiros e outro pessoal) no país e no estrangeiro, a par do apetrechamento das unidades hospitalares.
Tanto na educação, quanto na saúde, um dos ganhos incontornáveis que não pode ser ignorado é a criação de novos postos de trabalho que tem levado a que muitos cidadãos, maioritariamente jovens, encontrem o seu primeiro emprego.
Outras esferas da vida nacional acompanharam, em cadeia, este percurso vitorioso. Nestes 32 anos de independência nacional, os angolanos deixaram para trás lembranças que delas jamais quererão recordar-se.
Como referem as Sagradas Escrituras: “a tristeza pode durar toda a noite mas a alegria vem logo ao amanhecer”.
O país prepara-se agora para novos desafios: As eleições, previstas a partir do próximo ano, capitalizam as atenções dos angolanos. A sociedade está mobilizada e já demonstrou que é suficientemente capaz para vencê-los.
A título ilustrativo, basta ver que foi ultrapassada a estimativa do registo de potenciais eleitores. Previstos inicialmente sete milhões e meio, este número foi ultrapassado numa margem de mais 500 mil em todo o país.
À sociedade resta dar a sua contribuição para a continuidade dos projectos tendentes a elevar o nome de Angola, preservando e conservando, com o empenho e serenidade característicos dos angolanos, as infra-estruturas reabilitadas e edificadas, fazendo com que o actual "canteiro de obras" se transforme no país do futuro, com as condições satisfatórias para todos os cidadãos.