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17 Novembro de 2005 | 17h11

Director do Instituto para os Assuntos Religiosos defende debate sobre a feitiçaria

Luanda

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Luanda, 17/11 - O director do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR), Lisboa Santos, considerou hoje, em Luanda, necessário a promoção de debates abertos sobre a feitiçaria em Angola, com vista a encontrar medidas e reduzir o impacto sócio-económico do fenómeno.

Lisboa Santos falava à margem do encontro sobre "Os desafios da feitiçaria na promoção humana e na evangelização de Angola", promovida pela Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST).

Segundo o responsável do INAR, as pessoas devem reconhecer que o feitiço prejudica o homem em todas as suas vertentes (física, material e espiritual).

Prova disto, prosseguiu, é o aumento de casos de crianças mortas e torturadas sob esta acusação, um comportamento punível por lei, mas que ainda não merece a devida atenção das instituições judiciais.

A falta de esclarecimento, na óptica de Lisboa Santos, contribui para que os angolanos mergulhem cada vez mais em questões espirituais.

"Nesta luta, a igreja tem a missão de educar e desviar as mentes dos fiéis de práticas místicas com intuito de alcançar algum objectivo, sacrificando o próximo", referiu.

Reconheceu, porém, a proliferação de seitas religiosas por todo país com práticas que se distanciam cada vez mais do cristianismo ou da vontade de Deus.

Neste contexto, disse que com a lei nº 2/85 vai facilitar o trabalho do INAR e fazer desaparecer muitas destas seitas, pois o seu reconhecimento jurídico será vetado e os seus seguidores terão que optar por uma instituição que não ponha em causa a vida humana.

Por seu turno, o historiador Américo Kwononaka, que dissertava sobre o tema "Feitiço, mito ou realidade?", disse que a abordagem do feiticismo está carregada de muita subjectividade, construído na escala social, religiosa e cultural dos diferentes povos de Angola.

"A consciência social, sobretudo dos povos africanos, é marcada pela crença e pela convicção de um mundo povoado por seres poderosos, espírito dos antepassados que têm influência ou não sobre os vivos e da personificação das forças da natureza", salientou.

Segundo o historiador, o feitiço na sociologia bantu influência positiva ou negativamente, tanto a estrutura económica como a política, por isso a dimensão sócio-antropológica bantu é uma realidade, pois é uma maldição, transcendência e poder.

Américo Kwononoka considera, por outro lado, que negar o fenómeno é pôr em causa a verdade bíblica e consequentemente fazer de Deus "mentiroso".

A directora do Instituto Nacional da Criança (Inac), Eufrazina Maiato, lamentou o facto de apesar de todos esforços para a protecção da criança, esta constitui aindaa ser o principal alvo daqueles que acreditam na bruxaria e no poder das "forças ocultas".

"A violência contra os menores praticada por alguns supostos responsáveis religiosos e até mesmo pelos pais tem causado a morte e desintegração familiar, fruto do abandono do lar", sublinhou.

"Elas são responsabilizadas injustamente pela morte de familiares, vizinhos, instabilidade financeira, entre outros fenómenos", disse Eufrazina Maiato.

As crianças das províncias do Uíge, Zaire, Cabinda e Luanda e das áreas onde se encontram pessoas provenientes das Repúblicas do Congo Democrático e Brazzaville, segundo o Inac, são as mais visadas destes problemas.

Durante três dias, vão ser abordados temas como: "A fé e cultura", "O feitiço, mito ou realidade", "Religião cristã, "Poderes sobrenaturais, espíritos e mortos vivos", entre outros, a serem apresentados por especialistas nacionais.

No evento serão apresentados testemunhos de pessoas acusadas de feitiçaria com objectivo de promover um debate interactivo e encontrar soluções eficazes para estancar o problema intimamente ligado a cultura e ao surgimento de seitas religiosas com práticas místicas.