Angop - Agência de Notícias Angola PressAngop - Agência de Notícias Angola Press

Ir para página inicial
Luanda

Max:

Min:

Página Inicial » Notícias » Economia

17 Julho de 2009 | 10h57 - Atualizado em 17 Julho de 2009 | 11h01

Produtores de batata-rena na Matala com dificuldades na comercialização do produto

Huíla

Envia por email

Para compartilhar esta notícia por email, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Corrigir

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Matala - Agricultores que exploram mais de 500 hectares no perímetro irrigado da Matala, 180 quilómetros a leste do Lubango, província da Huíla, estão a encontrar dificuldades para comercializar a batata-rena, e temem prejuízos caso a situação prevaleça este ano.

Em declarações à Angop naquele município, o agricultor Francisco Domingues disse que espera colher nos 80 hectares disponíveis mais de 300 toneladas, mas este produto nem todo será aproveitado, dado as dificuldades de comercialização que vêm enfrentando.

Avançou que esta situação deixa preocupado qualquer agricultor da área, uma vez que estes vivem de créditos bancários, razão pela qual defende a necessidade de se criarem políticas de protecção à produção nacional.

"Pedimos ao governo que não deixe que este ano a produção se estrague no campo, como nos anteriores, até porque as previsões são boas e não há necessidade de se continuar a importar batata-rena em grandes quantidade, a partir da África do Sul", manifestou.

Por sua vez, o agricultor Jorge Vieira, que explora cerca de 20 hectares, disse que das 40 toneladas de sementes lançadas à terra, em Abril, irá colher mais de 200 t, tendo até agora colhidas já 25 t, reiterando a preocupação no que toca à comercialização da produção.

Fez saber que as 25 toneladas já colhidas estão a ser encaminhadas aos mercados do Lubango, mas a maior quantidade ainda não sabe o que fazer com ela, esperando a ajuda da Sociedade de Desenvolvimento da Matala (Sodmat) para a sua comercialização.

Considerou que o produto tem receptividade no mercado, estando o kg ao preço de 75 kwanzas, considerando que caso hajam câmaras de conservação, o perímetro irrigado da Matala está em condições de responder a demanda da Huíla e Luanda.

Contactado pela Angop, o presidente do conselho de administração da Sodmat, órgão que gere o perímetro do canal de irrigação, Luís Salvaterra, disse que produz-se muita batata e as previsões apontam para uma colheita de dez mil toneladas, a maior produção no país.

"É necessário unir forças, numa parceria público-privada para se comercializar as 10 mil toneladas de batata, porque nos anos anteriores tivemos sérias dificuldades neste capítulo. Os produtores engajaram-se nesta tarefa, seguindo as orientações do Governo, mas tiveram muitos prejuízos, o produto se estragou nos campos", sublinhou.

Apelou ao Presild e outros comerciantes que entrem em contacto com a direcção da Sodmat, a partir de 1 de Agosto, para que adquiram o produto a preços competitivos, tendo em conta a sua qualidade, comparativamente ao importado da África do Sul.

O responsável solicitou a asfaltagem da estrada Matala/Cunene, passando pelas comunas de Capelongo, Mulondo (Huíla) e Umbi (Cunene), com cerca de 300 quilómetros de extensão, para que se facilite o escoamento da produção para o sul de Angola.

Sistemas eficazes de irrigação, armazenamento para pelo menos quatro mil toneladas, modernização dos equipamentos agrícolas e a instalação de novas indústrias transformadoras, são outros desafios que os agricultores se propõem assumir.

Reconheceu que a produção feita no perímetro ainda é insuficiente, mas caso se façam investimentos na área, estarão em condições de responder as necessidades do país, esperando em 2010 aumentar esta produção para 20 mil toneladas.

A Sodmat controla sete cooperativas de agricultores, que gerem mais de 500 hectares de terras, sendo que em 2008 das três mil toneladas produzidas, apenas 500 foram comercializadas, através da Frescangol.