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18 Fevereiro de 2005 | 06h04

Futebol/Girabola: Das multidões aos estádios relvados às moscas

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Vista parcial de um jogo na cidadela

Foto: Foto Angop

Por Pedro da Ressurreição

Luanda, 17/02 - O campeonato nacional de futebol da primeira divisão (Girabola), cuja 27ª edição abre sábado, assinala a segunda época com jogos exclusivamente em recintos relvados, uma inovação que visa resgatar a qualidade e trazer de volta o público aos campos.

Na sua trajectória de 26 edições, o Girabola foi decrescendo de qualidade com a "reforma" de executantes exí­mios, verdadeiras ídolos das multidões (onde pontificavam Ndunguidi e Jesus, entre outros). Entraram então em cena jogadores também bem dotados, mas muito aquém da qualidade daqueles.

Gradualmente, a escassez de talentos, a falta de condições de trabalho e a adulteração de idades passam a"fazer moda". Em resposta, o público divorcia-se dos espetáculos de futebol, e mesmo com entradas grátis hoje quase ninguém vai aos estádios Disputada hoje no sistema de todos contra todos a duas voltas com 14 equipas, o campeonato começou por ser jogado em grupos, envolvendo duas dúzias de clubes em representação de todas as províncias do país.

Na sua estreia, em 1979, o então "baptizado" de Girabola agrupou 24 formações, divididas por quatro series. A final realizou-se no estádio nacional da Cidadela, entre o 1º de Agosto e o Nacional de Benguela, com triunfo dos "militares", por 2-1. Antes, nas meias-finais, os bengueleses afastaram os Pelancas do Huambo e o seu adversário eliminou a TAAG (hoje ASA).

Esta prova teve início a oito de Dezembro de 1979 e foi a única vez que o Girabola contou com a participação de todas as províncias (na altura apenas 16: a Lunda ainda não estava dividida e não existia o Bengo). Foram então escalonadas as 14 melhores classificadas para a constituição da primeira divisão do futebol nacional.

Assim, 1º de Agosto, Nacional de Benguela, TAAG, Palancas, Estrela Vermelha (Mambroa), FC do Uíge, Construtores do Uíge, Acadêmica do Lobito, Desportivo da Chela, Ferroviário da Huíla, Diabos Verdes (Leões de Luanda), Santa Rita, Sassamba da Lunda Sul e Sagrada Esperança inauguraram o campeonato primodivisionário em Angola.

As dez restantes formações da prova de 1979 consolaram-se com o mérito de terem sido os pioneiros dos campeonatos nacionais no país. Luta SC de Cabinda, FC Mbanza Congo, Ginásio do Kuando-Kubango, Xangongo do Cunene, Naval do Porto Amboim, Diabos Negros, Makotas de Malanje, Vitória do Bié, Juventude do Kunje e 14 de Abril entraram então para a história do "desporto-rei" em Angola.

As duas edições seguintes (1980, 1981) foram também conquistadas pelo 1º de Agosto, formado na altura por jogadores de eleição como Dinis, Alves, Mateus, Ndunguidi, Napoleão, entre outros. Mas, nesta prova, evolu­ram ainda figuras como Chiby (Acadêmica), Garcia Silva (Nacional), Arménio (FC Uíge), Geovetty, Chinguito, Eduardo Machado (TAAG), Arlindo Leitão e Manecas (Estrela Vermelha/Mambroa), Carlitos (Construtores).

O ano de 1981 assinalou a alteração no curso do Girabola, com a chegada da primeira divisão do Petro de Luanda (que viria a tornar-se o maior titulado com 13 títulos em 26 edições), 1º de Maio de Benguela (duas vezes campeão), Progresso do Sambizanga e Petro do Huambo.

Embora o título tivesse permanecido com a equipa das forças armadas, um sério aviso de competitividade foi deixado. Uma das épocas mais competitiva viria a acontecer em 1982, em que o récem-promovido.

Atlético Petróleos de Luanda chegava ao seu primeiro título, graças a um conjunto de talentos dentre os quais Jesus, Lufemba, Abel, Afonso e Eduardo Machado.

No ano seguinte, a taça saiu de Luanda, pela primeira vez. O 1º de Maio, com nomes fabulosos como André Nzuzi, Fusso, Garcia, Sarmento, Maluka, entre outros, bateu a concorrência, com uma impressionante marca de 13 vitórias na primeira volta.

Nesta fase, o futebol era vivido pela população como uma verdadeira paixão, justificando-se com as grandes enchentes registadas nos campos onde houvesse Girabola. A valia técnica e exibicional dos jogadores e equipas levava multidões aos jogos, mesmo quando disputados no período da noite.

Em 1984, o troféu foi novamente para a galeria do "eixo- viário", mas em seguida (1995) saiu pela última vez de Luanda até hoje. A turma "proletária" da rua Domingos do "O" de Benguela arrebatava então a última conquista de uma equipa sediada fora da capital.

Entre 1986 e 2001, o campeonato entrou para uma fase monótona, sob monopólio do Petro de Luanda (11 títulos) e 1º de Agosto (cinco). Depois (2002) entrou a "era" do ASA, que ainda vigora.

Entrementes, em várias ocasiões, o número de equipas do Girabola foi alterado.

Depois das 24 formações da estreia, a prova manteve-se com 14 até 1991, altura em que passou (em duas edições) para 16 clubes. Porém, viu-se reduzido a 12 em 1993 e 1994, porque os representantes do Huambo (Mambroa e Petro) ficaram impedidos de participar devido ao conflito pós-eleitoral de 1992.

A partir de 1995 é introduzido o novo sistema de pontuação com três pontos por vitória.

Finalmente, em 2004, apôs acesos debates sobre a pertinência ou oportunidade de tal medida, foi aprovada a interdição de campos não relvados para jogos do campeonato da primeira divisão.