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18 Agosto de 2008 | 16h15 - Atualizado em 18 Agosto de 2008 | 16h15

Meninas abusadas em rituais vudu agora podem ir à escola

Togo

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Togoville, Togo, 18/08 - Centenas de meninas togolesas entre sete e 12 anos vão poder deixar o seu trabalho como assistentes de sacerdote dos rituais vudus para voltar a estudar, pondo fim assim a um sistema abusivo e duramente critado pelos
defensores dos direitos humanos.
      
Depois de três anos de campanha, os militantes pró-direitos humanos comemoram uma grande vitória, já que as meninas nesse país eram afastadas de suas famílias e obrigadas a se envolver nos rituais em que muitas vezes eram objecto de abusos
sexuais.
   
A mudança foi alcançada graças a esforço das autoridades políticas e religiosas desse pequeno país do oeste da África, onde 60 por cento dos seus cinco milhões de habitantes praticam o vudu, uma crença nascido no século XVI às margens do rio Mono,
que corre entre Togo e Benin.
      
A decisão final só aconteceu depois de inúmeros sacrifícios de frangos e vacas e inúmeras oferendas de bebidas e alimentos às divinidades vudus. Dessa forma, "Mamá Kponu", a "mãe de todas as divinidades" no Togo, aceitou a mudança no final de Maio passado.
      
Com seus quase 60 anos, esta mulher é considerada a "rainha sagrada" da floresta de Togoville, norte da capital Lomé, e sua autoridade se estende a dezenas de conventos que veneram cerca de 150 divinidades da influente crença vudu.
      
"A partir de agora, suas filhas ficarão livres dos ritos de iniciação e poderão ir à escola", declarou Togbui Gnagblondjro III, presidente dos oficiantes vudu.
      
"Os ritos reservados às jovens agora serão realizados durante as férias escolares", assegurou, por sua parte, Hundjenuko, uma sacerdotisa da divindade do trovão, Heviosso.
      
Centenas de meninas eram baptizadas anualmente segundo os rituais vudu, depois de uma iniciação entre três meses e dois anos. Segundo a prática agora abolida, durante esse período as crianças deviam permanecer em conventos, servindo às divindidas, sem ver suas famílias.
      
Durante sua instrução, aprendiam as regras da comunidade, as danças sagradas e muitas eram escarificadas ritualmente na cabeça, no peito e nos braços para indicar a que divindidade serviam.

Segundo uma investigação da WAO-Afrique, organização não-governamental defensora da infância, algumas sofriam abusos sexuais, mas, se fugissem, podiam ser repudiadas por suas famílias.
      
"Que alívio que estas meninas estejam finalmente a salvo", declarou deputada e ex-ministra da Infância, Christine Agnele, que durante anos lutou para abolir esta tradição.
      
O código da infância de Togo, que foi votado em Junho de 2007, contempla penas de até cinco anos de prisão para quem tiver em seu poder uma criança a fim de privá-la de sua família.
      
O vudu baseia-se na adoração do Deus Mahu e de outras 200 divinidades. Os rituais incluem sacrifícios de animais para esses espíritos, mas seus devotos insistem que não se trata de prática de bruxaria.