Angop - Agência de Notícias Angola PressAngop - Agência de Notícias Angola Press

Ir para página inicial
Luanda

Max:

Min:

Página Inicial » Notícias » África

05 Abril de 2013 | 12h03 - Actualizado em 05 Abril de 2013 | 12h46

Embaixador gabonês considera lamentável situação política na RCA

Angola

Envia por email

Para compartilhar esta notícia por email, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Corrigir

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas, preencha os dados abaixo e clique em Enviar


Luanda - O embaixador gabonês em Angola, François Mouely-Koumba, qualificou de lamentável a situação política surgida após o golpe de Estado na Republica Centro Africana (RCA) relativamente às boas intenções, aos bons conselhos e boas iniciativas traçadas nos acordos de paz de Libreville, no Gabão.


Em entrevista à Angop, o diplomata afirmou que o seu governo esperava que a evolução da situação política centro -africana fosse ocorrer com a maior normalidade, contrariamente a um golpe de Estado considerado de "bastante negativo" face ao encontro que culminou com a assinatura dos acordos de paz entre o campo do presidente deposto, François Bozizé, a oposição e os rebeldes Seleka.


Para o embaixador, o que se passa na RCA é um eterno recomeço porque, há dez anos, já se viveu uma situação semelhante e ?isto fará com que o nível de desenvolvimento que se alcançou até ao momento neste país tenha que começar do zero".


"Após o encontro de Libreville, pensávamos que o processo político estava a ser desenrolado normalmente, uma vez que havia uma previsão de realização de eleições dentro do prazo decidido pelas partes integrantes do acordo", disse.


?Trata-se do desrespeito da ordem constitucional. É evidente que a opinião da África central e da comunidade internacional seria de esperar que o mandato legitimado ao presidente François Bozizé nas eleições de 2011 fosse chegar ao seu termo?, uma vez que este último  já havia aceite o princípio de não se candidatar nas próximas eleições.


Segundo François Mouely-Koumba, este problema desestabiliza todo o processo de desenvolvimento da região central de África, uma vez que sem a paz nenhum Estado vizinho pode evoluir correctamente.


Quanto aos outros países membros da Comunidade de Estados da África Central (CEAC), o representante diplomático gabonês disse que os mesmos devem empreender esforços no sentido de levar as partes a encontrar uma solução ao problema, porque acabam por ser influenciados pela instabilidade política em curso na RCA.


Sublinhou que a posição do governo gabonês vai de encontro aos princípios da União Africana, que condenou a tomada do poder pela força e suspendeu a participação da RCA nas actividades da organização.


O embaixador acrescentou que a crise na RCA é um dossier familiar para o Gabão, uma vez que as autoridades gabonesas estiveram envolvidas ao mais alto nível a ver resolvida a crise centro-africana, principalmente jogando um papel de mediador face aos diferentes actores políticos desse país.


Afirmou  que no último encontro realizado em Libreville, o presidente Ali Bongo tentou conciliar as duas partes a chegarem a uma solução duradoura, pensando que o processo fosse se desenrolar normalmente, mas infelizmente surgiu tal situação.


Domingo (24 de Março), os rebeldes Seleka atingiram a capital Bangui, forçando o presidente centro-africano a fugir para os Camarões.


François Bozizé, de 66 anos, que chegou ao poder pelas armas em 2003, foi eleito presidente em 2005 e reeleito em 2011 após eleições muito criticadas pela oposição.


A rebelião havia lançado uma primeira ofensiva no dia 10 de Dezembro no norte do país, obtendo uma série de vitórias diante das desorganizadas forças governamentais, antes de deter seu avanço devido às pressões internacionais, 75 km ao norte de Bangui.


Os acordos de 11 de Janeiro, em Libreville, levaram à formação de um governo de união nacional. Os insurgentes, alegando que estes convênios não eram respeitados, desencadearam novamente as hostilidades na sexta-feira (22 de Março) e declararam
que queriam instaurar um governo de transição.


De notar que os chefes de Estado e de Governo da CEEAC, reunidos em cimeira na capital tchadiana, determinaram a criação de uma comissão  a ser integrada pelos estados membros para avaliar no terreno a situação da RCentro ?Africana (RCA),decorrente do golpe militar que depôs o presidente François Bozize.


Segundo o chefe de Estado tchadiano e presidente em exercício da CEEAC, Idriss Deby, esta comissão tem a missão de deslocar-se à RCA no intuito de realizar consultas políticas com as diversas franjas da sociedade local, obtendo assim uma visão clara sobre a situação no terreno


O presidente Idriss Deby referiu que a decisão da organização terá como base, sobretudo, as aspirações do povo da RCA e que ela não visa impor apenas a vontade da organização.