Angop - Agência de Notícias Angola PressAngop - Agência de Notícias Angola Press

Ir para página inicial
Luanda

Max:

Min:

Página Inicial » Notícias » Reconstrução Nacional

11 Dezembro de 2006 | 12h44

Recuperação da barragem do Gove soluciona problema de energia no Huambo

Luanda

Envia por email

Para compartilhar esta notícia por email, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Corrigir

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

gove111206

Foto: Foto Angop

Luanda, 11/12 - A resolução do problema de energia, que vigora em todo o território da província do Huambo, passa necessariamente pela recuperação da barragem hidroeléctrica do Gove, cujas obras foram abandonadas na década de 70, por causa do conflito armado que assolou na altura a região, disse recentemente o governador local, Paulo Cassoma.

Ao balancear as actividades realizadas durante o biénio 2006/2007, no âmbito do Programa de Melhoria e Aumento da Oferta dos Serviços Sociais Básicos às Populações, Paulo Cassoma referiu que a reabilitação e ampliação da barragem do Gove resolve definitivamente o problema de energia no Huambo, nos próximos 20 anos, mas para isso as suas obras devem começar no princípio de 2007.

Segundo o governante, neste momento aguarda-se pelos resultados de um concurso público internacional realizado pelo Gabinete Para a Administração da Bacia Hidroeléctrica do Cunene (GABHIC) e o Ministério da Energia e Água, que visa a adjudicação e motorização da barragem do Gove, na qual se prevê construir uma central eléctrica com três turbinas de 20 megawatz cada. Mas estudos indicam que esta capacidade pode elevar-se para 80.

"Actualmente o Huambo vive de energia térmica, o que faz com que não seja possível desenvolver ou viabilizar as grandes indústrias. Por este motivo, o governo da província tem direccionado os seus esforços apenas para as micro e pequenas indústrias, mas tudo fará para inverter o quadro dentro de dois anos" explicou Paulo Cassoma.

Por seu turno, o director provincial de Energia e Água do Huambo, Elias Gomes, deu a conhecer que após a sua conclusão, a barragem do Gove vai beneficiar, numa primeira fase, a região centro do país, com destaque para o Huambo e o Bié, não prevendo no entanto fornecer energia a outros países do continente, independentemente das ligações fronteiriças.

Sem revelar o valor a ser aplicado na empreitada e a data do seu início, Elias Gomes informou que o projecto terá dois fins fundamentais: fornecer água ao sul do país para efeitos agrícolas (irrigação de lavras) e produzir energia eléctrica para a região centro de Angola.

Enquanto isso, adiantou estar-se a trabalhar na melhoria do sistema de distribuição de electricidade e na implementação de grupos geradores.

Com a implementação dos programas bienais do governo, avançou o interlocutor em entrevista à imprensa aquando de uma deslocação dos jornalistas de Luanda àquela província para constatar o andamento das obras desenvolvidas durante o ano em curso, conseguiu-se instalar energia nos 11 municípios do Huambo e em algumas comunas, sendo que neste momento estão operacionais cerca de 67 por cento dos sistemas.

"Das 37 localidades que constituem a província do Huambo, 25 já beneficiam de energia eléctrica, só que nos debatemos com alguns problemas, fundamentalmente na rede de distribuição e no pessoal técnico capacitado para gerir estes sistemas" - enfatizou, adiantando faltar instalar o sistema de electricidade em apenas 12 localidades, principalmente nas comunas e zonas rurais, o que corresponde a 32,4 por cento.

Em relação à cidade do Huambo, o director provincial de Energia e Água disse ser a situação muito mais crítica, visto que a sua energia é térmica e isto implica elevados custos de produção, distribuição e até mesmo de exploração dos sistemas.

Relativamente à capacidade instalada em toda a província referiu que é de30 mil 775 kva, estando apenas disponíveis seis mil 590, o que corresponde a 21 por cento. Por este motivo, afirmou ser a situação bastante precária. "No ano passado nós fizemos um grande investimento no sistema de produção: instalamos três grupos geradores de 1825 kva cada. Dois neste momento estão operacionais e um avariado", fez saber.

De acordo com a mesma fonte, há projectos que visam a reabilitação da linha de transporte Gove/Huambo e da linha Benguela/Huambo, mas até ao momento estas acções não se realizaram, pelo que se aguarda por um pronunciamento por parte dos órgãos centrais para a sua execução e o consequente desenvolvimento sustentável da província.

Localizada na comuna do Kuima, no município da Caála (Huambo), a barragem Hidroeléctrica do Gove - a única fonte de energia barata dessa região - começou a ser construída nos anos 70 pelos portugueses para regular o caudal da água do rio Cunene e durante os cerca de 30 anos de guerra que o país viveu, sofreu duas sabotagens.

Com a conquista da paz em 2002, a província vem registando melhorias em todos os sectores, daí a necessidade de se lhe recuperar até pelo menos 2008 para solucionar as dificuldades ainda existentes no capítulo da energia, tendo em conta a sua capacidade funcional e solidificação em termo de estrutura.

Huambo, Caala, Ucuma, Tchingenge, Longonjo, Ekunha, Catchiungo, Londuimbali, Tchicala Tcholoanga, Bailundo e Mungo são os 11 municípios que compõem essa província de 34 mil 270 quilómetros quadrados e cuja população se estima em dois milhões de habitantes, que até aos dias de hoje depende dos grupos geradores. Com excepção da sede provincial, a energia nos outros municípios é fornecida somente das 18 às 22 horas.